Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Que há de mais totalitário que a Democracia?

Dêem-lhe as voltas que quiserem; cubram-na com o manto que entenderem; escondam-na sob as máscaras que lhes apetecer; mergulhem-na em pias de água benta, ou lambuzem-na de excrescências de esgotos – a Democracia foi a praga que caiu sobre o mundo trazida no coração do Anti-Cristo, e é a lepra que está a corroer o mundo.
Oiço falar muitas vezes, com susto e arrepio, no Totalitarismo, em regimes totalitários, a pessoas a quem não repugna a Democracia.
Santo Deus! Mas onde está, onde se esconde, onde vive, Totalitarismo mais completo do que a Democracia?
A Lei é igual para todos? Totalitarismo.
Sufrágio universal? Totalitarismo.
Instrução universal obrigatória? Totalitarismo.
Toda a nação em armas? Totalitarismo.
O Governo do Povo pelo Povo? Totalitarismo.
Liberdade de consciência? Totalitarismo.
Direitos do Homem? Totalitarismo.
Paz universal? Totalitarismo.
Igualdade? Totalitarismo.
Que há de mais totalitário que a Democracia?


Alfredo Pimenta, As Lições dos Factos, in «A Voz», 4 de Agosto de 1941.

1 comentários:

Auto Governo Coletivo disse...

Inevitavelmente, todos estamos presos ao Sistema. Esta é uma verdade incontestável, pois que todos dependemos uns dos outros; não há nada no mundo que não dependa do outro para subsistir, concreta ou abstratamente.

Contudo, se por um lado somos prisioneiros do Sistema, por outro, é fato, também, que a simples consciência desse quadro destrói o equívoco da ilusão da liberdade, pois a pior prisão do mundo é aquela que não sabemos que estamos presos.

Se o Sistema é melhor, com referenciais melhores, o mundo tende a ser melhor.

O tema nos leva fatalmente a Democracia, que dos regimes políticos experimentados pela humanidade é o que melhores resultados produziu. A prova disso é que a grande maioria das nações são reguladas por esse modelo.

Mas se por um lado a democracia é tida como o melhor dos regimes, por outro, não seria exagero afirmar que dos piores é o menos pior.

Uma análise nos leva a inferir que o modelo democrático está a meio caminho do seu ideal, pois, apesar de etimologicamente significar a vontade do povo, o que se vê na prática não é isso que ocorre. O fato de todo o sistema encontrar-se fundamentado no voto e em partidos políticos, os quais lançam candidaturas para disputas eleitorais periódicas, não significa, necessariamente, que vivemos sob a égide de um governo plenamente democrático. Isto porque, apesar dos cidadãos participarem do processo, o que de fato ocorre no final das contas é que são os partidos políticos os verdadeiros donos do Poder, não o povo.

Como o sistema atual de democracia compreende a existência de partidos políticos interessados em chegar ao Poder através de candidaturas de seus representantes, chega-se a conclusão de que o ganho eleitoral imediato é o que de fato importa para as agremiações partidárias, independentemente das ideologias que defendem e dos discursos eleitorais. Assim, interessa aos partidos lançar candidaturas com potencial de voto nas urnas, o que, a rigor, significa candidatos com visibilidade pública (famosos em geral) ou detentores de alguma outra forma de vantagem – dinheiro, relacionamentos, corporativismo classista etc. – em relação aqueles que, embora possam vir a ser indivíduos muito mais competentes, honestos e compromissados com o bem coletivo, são anônimos políticos e por isso mesmo com remotíssimas chances de vitória.

Uma democracia baseada nestes elementos de vantagens pessoais nas disputas eleitorais não representa na prática um regime pautado na justiça e na igualdade de oportunidades. Sob esse prisma, a democracia não passa de um grande engodo, um instrumento perverso a serviço dos partidos políticos e das classes dominantes, cujo principal objetivo é capturar o Poder (isto é, ser Governo) e assim impor suas ideologias e verdades ao resto da sociedade ao mesmo tempo em que cuida da própria sobrevivência, pensando sempre nos interesses e acordos de momento e no calendário eleitoral futuro.

Em vista disso, propomos como avanço democrático um regime em termos de autogoverno coletivo. Não se trata de anarquismo no sentido de substituição do Estado pela associação de grupos associados. É algo mais avançado, pois pressupõe a diluição do poder do Estado a favor do conjunto da sociedade.

Assim, dentro do quadro ideológico da filosofia do autogoverno, defendemos, dentre outros pontos, a instituição do sorteio eleitoral em substituição ao voto nas eleições, o que tornaria, inclusive, desnecessária a existência de partidos políticos, com a inclusão do cidadão na vida pública (mais pessoas para cuidar da Administração Pública e do dinheiro dos impostos).

Do nosso ponto de vista, a proposta do sorteio eleitoral é um avanço democrático na medida em que proporciona a todos os candidatos as mesmas condições de elegibilidade, sendo este, portanto, o mais justo dos critérios.

Em suma, o autogoverno é uma proposta de renúncia ao poder individual em prol do coletivismo político e social.

Para divulgar tais ideias, criamos a página www.autogoverno coletivo.com.br

Convido-o a fazer uma visita a mesma.

Att. Fernando Billah