Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

O fio da esperança

Passei por muitos tormentos... Muito sofreu a minha pobre carne. Creio que nunca sofri tanto como agora.
Não perdi a fé e o amor, mas houve momentos em que senti romper-se o fio da esperança.
Torturado fisicamente como um cão, as minhas próprias roupas se enchem de sofrimentos; há sessenta dias que durmo vestido em cima destas tábuas cobertas por uma esteira. Sessenta dias e sessenta noites em que os meus ossos absorvem como uma esponja a humidade que sai das paredes e do chão.
Dois meses sem trocar uma palavra com um ser humano, pois ninguém está autorizado a falar comigo. Entretanto, sou atacado moralmente, acusado de traição, declarado estranho à estirpe, como se não fosse romeno por parte do meu pai e da minha mãe, apontado como inimigo do Estado, coberto de injúrias, de mãos atadas nas costas, sem a possibilidade de me defender.
Pensando nos sofrimentos, vexames e maus tratos infligidos à minha família e aos meus camaradas, sentia o coração oprimido, sentia que acabava de romper-se um dos três fios invisíveis que unem o cristão a Deus: a esperança. Sentia-me extremamente triste, sentia que me afogava. Mas atei tudo de novo e lutei dia após dia. Como? Lendo os quatros evangelhos. Quando terminei, tinha recuperado de novo a fé, a esperança e o amor.
Acabo de ler as cartas do apóstolo São Paulo, das quais tirei provas decisivas sobre a existência da Ressurreição e do poder do Redentor Jesus Cristo. Impressionaram-me:
1) A sinceridade e a pureza espiritual do apóstolo.
2) A vida integralmente cristã, sem mancha.
3) Os perigos e sofrimentos que passou pelo Senhor.
4) A serenidade e a alegria com que aceitava o sofrimento.
5) A força de encorajar outros para que não vacilassem perante os sofrimentos e perseguições.
6) Um amor santo, de uma altura comovedora para todos os irmãos cristãos, seus filhos espirituais.
7) Um ardor indómito pouco conhecido dos apóstolos de uma fé, a pregação incessante do Redentor a todos os povos.
8) A sua grande ciência e sabedoria.
Em quase todas as epístolas começa assim: «Eu, agrilhoado a cadeias por crer em Cristo, nosso Senhor».
Noutra carta, escreve a Timóteo: «Corre e junta-te a mim» (Timóteo 4:9). Também desejava ver alguém. «Traz-me um abrigo quando vieres». Também sentia frio.
Se aprofundarmos a leitura das cartas, chegamos a estas conclusões:
1) Que não somos cristãos e estamos longe de o ser. Muito longe...
2) Que nos cristianizamos na forma e nos descristianizamos no conteúdo.
3) Que a humanidade sofreu o processo de descristianização durante séculos, com poucos momentos de interiorização da fé... A cristianização superficial parecer ser a grande preocupação da humanidade.
4) A grande preocupação do nosso tempo é lutar entre nós e outros homens e não entre os mandatos do Espírito Santo e os apetites da nossa natureza terrena.
Preocupam-nos e agradam-nos as vitórias sobre os homens, não as vitórias sobre o demónio e o pecado.
Os grandes homens do mundo de ontem e de hoje, Napoleão, Mussolini, Hitler, etc., preocuparam-se mais com as lutas e triunfos exteriores.
O Movimento Legionário é uma excepção. Ocupa-se também, embora insuficientemente, da vitória cristã do homem com vista à sua salvação.
É enorme a responsabilidade de um chefe.
Não deve deleitar os olhos dos exércitos com vitórias terrenas sem antes os preparar para a luta decisiva, na qual a alma de cada um se pode coroar com a vitória da eternidade ou sofrer a derrota eterna.
5) Finalmente, a falta (pelo menos entre nós) de uma elite sacerdotal portadora do fogo sagrado dos antigos cristãos. A falta de uma escola de elevação e moralidade cristãs.


Corneliu Zelea Codreanu in Diário do Cárcere.

6 comentários:

Auto Governo Coletivo disse...

Aproveitando o ensejo, e a propósito de uma notícia dando conta de que confrontos em marcha de cristãos no Egito deixaram 29 feridos, fica evidente que Deus não passa de um recurso exterior para conveniências de momento a serviço da grande massa da humanidade, que ainda vive num mundo de trevas e ignorância que só fazem alimentar o egoísmo, sendo este o grande mal da humanidade.

Se Deus significa alguma coisa (e significa muito), Ele só pode ser compreendido como sendo Paz, que é um ato humano de inteligência. Isto é, sem inteligência - que é a capacidade de apreender a Verdade, desde que haja coragem, conhecimento, humildade e sabedoria - não há paz, e onde não há paz como pode haver Felicidade?

Toda e qualquer agressão, especialmente as em nome de Deus (patrocinadas pelas religiões), só fazem demonstrar a distância que o homem se encontra de Deus. Em outras palavras, a ilusão da crença em Deus é a marca da falta de consciência crística que reina nas "verdades" dos homens.

Crer em Deus é manifestar respeito pelo outro e responsabilizar-se pelos atos praticados. Só isso, conforme entendo.

Att. Fernando Billah

O Reaccionário disse...

Fernando Billah,

Jesus Cristo disse: «Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada.» (Mateus 10:34). Donde se conclui que Deus não é paz, mas justiça.
Não pode haver paz verdadeira sem haver justiça; paz sem justiça é a paz podre. Paz não é o mesmo que renúncia ou ausência de guerra. Paz é a tranquilidade na ordem. E por ordem entende-se a correcta disposição dos elementos em função do seu fim. Por isso se lê em Isaías 32:17: «A justiça produzirá a paz».
A propósito deste assunto Gustavo Corção afirmou: «Por incrível que pareça são os pacifistas que pecam contra a Caridade quando querem que todos se unam e se misturem na mesma indiferença em relação à Verdade e ao Bem. Sim, não há mais odioso pecado contra a Caridade do que a amável condescendência com que permitimos e colaboramos com a permanência no erro e no mal. Não fazer questão de incomodá-lo, de combatê-lo, de tirá-lo da sua tranquilidade no erro e no mal, é fazer uma das obras predilectas do Demónio.». Daqui se retira que a guerra nem sempre é um mal. Fazer a guerra ao mal é um bem!
Mas as dúvidas dissipam-se por completo quando lemos: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá.» (João 14:27). Donde se conclui que a Paz de Cristo não é a mesma paz que a paz do Mundo.

Em relação à pseudo-religião islâmica, só posso repetir aquilo que São Tomás de Aquino disse: «Ele (Maomé) seduziu o povo com promessas de prazer carnal ao qual a concupiscência da carne nos impele. Os seus ensinamentos também continham preceitos que estavam em conformidade com suas promessas, e ele deu rédea solta ao prazer carnal. Em tudo isto, como era de se esperar, ele foi obedecido por homens lascivos. Como provas da verdade de sua doutrina, ele apenas apresentou o que poderia ser apreendido pela habilidade natural de qualquer um com uma sabedoria muito modesta. De facto, as poucas verdades que ele ensinou, ele misturou com muitas fábulas e doutrinas da maior falsidade.
Ele não apresentou quaisquer sinais produzidos de modo sobrenatural, os quais são os únicos que dão testemunho apropriado de inspiração divina; pois uma acção visível que só pode ser divina revela um mestre da verdade com inspiração invisível. Pelo contrário, Maomé disse que foi enviado pelo poder de suas armas – que são sinais dos quais não carecem nem bandidos nem tiranos. E mais: nenhum sábio, nenhum varão experimentado nas coisas divinas e humanas acreditou nele desde o começo. Os que nele creram eram homens brutos e andarilhos do deserto, totalmente ignorantes dos ensinamentos divinos, por cuja multidão Maomé forçou os outros a tornarem-se seus seguidores, pela violência de suas armas. Tão-pouco os pronunciamentos divinos da parte dos profetas anteriores lhe dão qualquer testemunho. Pelo contrário, ele perverte quase todo o testemunho do Velho e do Novo Testamento, utilizando-se deles para criar uma invenção própria sua, como pode ser visto por qualquer um que examine sua lei. Foi, portanto, uma decisão astuta de sua parte proibir a seus seguidores de lerem o Velho e o Novo Testamento, para que estes livros não os convencessem de sua falsidade. Assim, fica claro que os que depositam fé em suas palavras crêem por tolice.»

Auto Governo Coletivo disse...

Quando me refiro a paz, não falo daquela decorrente da passividade, como se todo o mal e todas as injustiças da vida fossem um desígnio de Deus dos quais o homem não pode escapar e, por isso, cumpre-lhe viver com resignação com tudo a sua volta. Pelo contrário, é um dever (no sentido de uma obrigação autoimposta) do ser humano buscar a justiça para se chegar a Paz, porque, de fato, só pode haver paz, se antes for construída a justiça. Concordo com você quando diz que paz sem justiça é paz podre, e acrescentaria: paz sem justiça, além de ser paz podre, é um misto de covardia, omissão e conveniências de momento.

Buscar a justiça implica, muitas vezes, ter de recorrer a guerra, sim, porque guerra significa conflito como ante-sala do Bem, desde que justiça aqui seja considerada como Universal, portanto ação evolucionária, do contrário é trocar seis por meia duzia, mera revolução, donde conjunturas são transferidas de lugar sem as devidas mudanças estruturais.

Admiro o exemplo grandioso que Ghandhi deixou para a humanidade. Um exemplo, antes de tudo, de muita coragem, convicção e determinação. Libertou a Índia do jugo inglês, ainda que com a ocorrência de mortes, apesar do viés pacifista.

A guerra se justifica pelo simples motivo da sobrevivência, já que esta é uma Lei que nos submete a todos - portanto, dentro deste contexto, a guerra é, sim, válida, se for este o único modo de se chegar a Paz, considerando a justiça que a patrocina uma construção humana, o que implica um mundo bem melhor, apesar dos obstáculos no caminho a serem ultrapassados.

Att. Fernando Billah

carlos disse...

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O Reaccionário disse...

Carlos,

Com tanto erro ortográfico, acho que não sou eu quem precisa de tirar um curso...

Alexandre Silva disse...

Com certeza o pensamento da sociedade é no vencer o mundo exterior. Por isso que os silenciosos são considerados perdedores, enquanto os que esbravejam o mundo são os guias. São muitas vezes cegos guiando outros cegos.