Sábado, 24 de Setembro de 2011

O poder corrompe?

JOÃO TIAGO – Esqueces que, consoante ensinou Lord Acton, o poder por si corrompe. Portanto, não é possível recorrer ao poder para obstacular à corrupção política. Só quando depara com um obstáculo fiscalizador que, é precisamente a opinião pública, será detido na sua tendência para a imoralidade.
JORGE GUILHERME – É tão arbitrário afirmar que o poder corrompe como sustentar que o poder ilumina e esclarece. Tudo depende do poder que se trata. Quando o seu titular estiver, graças a uma posição institucional, intrínseca, como que pessoalmente interessado em bem governar, porque carga de água há-de o poder corromper? Além disso, a opinião livre só conseguirá fiscalizar o poder se for ela mesma um poder. E a acreditar-se que o poder corrompe, é preciso novo poder para fiscalizar o poder da opinião pública e assim até ao infinito.


António José de Brito in Diálogos de Doutrina Anti-Democrática.

2 comentários:

Ludovico Cardo disse...

O Jorge é que sabe.

O Reaccionário disse...

Estes Diálogos são muito interessantes: representam a conversa entre dois amigos de infância, um fascista (Jorge Guilherme) e um anti-fascista (João Tiago). Recomendo.