Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Fernando Pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa
(13 de Junho de 1888 – 30 de Novembro de 1935)

Codreanu – Presente!

Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou anciã –
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância –
Do mar ou outra, mas que seja nossa!


Fernando Pessoa in Mensagem.

Um bom prenúncio

Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

A guerra ao Liberalismo é uma guerra santa

A República serve melhor Deus do que a Monarquia? Eis o problema fundamental, essencial. Eis o âmago da questão.
Para mim, a diferença que caracteriza os dois regimes, e que os tratados de Direito político formulam, é muito, é imenso – mas não é tudo. A hereditariedade, característica da Monarquia, garantindo uma continuidade no elemento-base do Poder, que a eleição, característica da República, transforma em instabilidade sistemática, é muito, é imenso, – mas não é tudo. Porque fará mais facilmente feliz um povo, uma República católica, do que uma Monarquia ateia ou agnóstica que se transforma automaticamente em República, como a República católica automaticamente se transforma em Monarquia. Porque o Ateísmo ou o Agnosticismo são as grandes alavancas propulsoras da Anarquia. E o Catolicismo é a essência da Ordem.
Se pela Monarquia vou mais facilmente para o Catolicismo, por este, vou, fatalmente, para a Monarquia. Se pela República vou mais facilmente para o Paganismo, por este vou, fatalmente, para a República. Porquê?
Porque o Catolicismo é a ordem integral. Porque o Paganismo é a Anarquia integral. Como a Monarquia é um regime essencialmente de ordem, e como a República é um regime essencialmente anárquico, é evidente que o Catolicismo leva à primeira, e o Paganismo leva à segunda. Portanto, o que é tudo, na diferença que caracteriza os dois regimes, não é a hereditariedade ou a eleição: é a Ordem integral ou a Anarquia, é Deus ou Satã. Por outras palavras: tudo se reduz a aceitar-se ou repudiar-se o Liberalismo.
Uma República anti-liberalista é preferível, para um monárquico integral como eu, a uma Monarquia liberal. Uma República liberalista deve ser preferível, para um monárquico liberal, a uma Monarquia anti-liberalista.
O mundo político, actualmente, já se não divide bem em monárquicos e republicanos: divide-se em liberais e anti-liberais. Os liberais estão todos presos pelo cordão umbilical da Urna; todos eles deitam incenso na ara absurda do Voto. Aos anti-liberais, une-os a Consciência de que o Sufrágio político, individualista, é uma mistificação.
O Liberalismo, ou seja, monárquico ou republicano, além de que repousa sobre uma mentira, o voto, e de que conduz a outra mentira – o Povo soberano, é, na sua essência, inimigo de Deus. Todo o poder vem de Deus – omnis potestas a Deo.
Mas para o Liberalismo, monárquico ou republicano, todo o poder emana do Sufrágio. E é por isso que nós assistimos, de vez em quando, ao afã dos liberalistas, no sentido de purificarem o Sufrágio. É que para eles, o Sufrágio é tudo! O homem, munido do papelinho branco, é omnipotente, omnisciente. Um milhão de homens de um lado, outro milhão de homens do outro lado. Empate. Quem vai desempatar? O Pistautira (oh!) que se esquecera de que era o grande dia do Povo soberano. Vão chamar o Pistautira!
E o Pistautira chega, e vota. E desempata...
Quem foi o omnipotente? Quem foi o omnisciente? O Pistautira... Isto é o Liberalismo.
O Sufrágio político é o mal. Corrigi-lo, como pretendem os liberais, é piorá-lo. Aperfeiçoá-lo é torná-lo mais nocivo ainda. O que é preciso é destruí-lo, é eliminá-lo, é substituí-lo pela representação de classes – apolítica: a representação dos Municípios e das Corporações, porque o Poder vem de Deus, e não do Povo. E a eliminação do Sufrágio político não é, portanto, atentatória das liberdades populares, antes, é a sua garantia máxima. Garantir a liberdade doméstica, a liberdade municipal e provincial, a liberdade corporativa – é deitar abaixo a Liberdade, árvore à sombra da qual têm germinado e florescido todas as tiranias, com a tirania do Número, do Anónimo, do Voto, à frente, mas é desenvolver a Nação, e abrir-lhe largos horizontes no futuro. A Liberdade é inimiga das liberdades. Onde a Liberdade impera, morrem, asfixiadas, as liberdades. Ora estas são fecundas, a Liberdade é estéril.
Liberalismo é o regime da Liberdade. A guerra ao Liberalismo é uma guerra santa. Foi ele quem atentou primeiro contra a Igreja; foi ele quem enfraqueceu e estiolou o Princípio monárquico.
Não precisamos de sair do nosso País. Portugal morre lentamente, – enterrado, afogado em estúpido materialismo, descrente do Rei, descrente de si próprio, farrapo do que foi, sombra do que foi. Esta situação deve-a, em primeiro lugar, aos malvados de 1820 e 1834 que em vez de defenderem o carácter nacional, o abastardaram, o estrangeiraram; deve-o, em segundo lugar, aos que cegos pela vaidade e pela ambição, se têm oposto à definição plena da aspiração política nacional, liberta do veneno revolucionário, e absolutamente integrada no pensamento de que tudo no homem deve tender a servir Deus, porque indivíduos e Nações só para o serviço de Deus nasceram.


Alfredo Pimenta in Nas Vésperas do Estado Novo.

Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

Fórmula de transição

No interesse do próprio princípio monárquico, isto é, da sua perfeita aplicação, não deve ser por enquanto implantada a monarquia. O país não está ainda preparado para a monarquia, porque a Monarquia a implantar, devendo ser uma modernização do antigo regime português, é a tal ponto diferente de tudo quanto a mentalidade média, educada nas ideias liberais e democráticas, tem estado habituada a pensar, que a instituição de um sistema desses – supondo mesmo que ele já existisse composto e estudado – provocaria um sentimento de estranheza, breve dando em resultado a revolta, pelo aproveitamento dessa estranheza pelas forças liberais, apoiadas no estrangeiro moralmente, e aproveitando-se dos erros, poucos ou muitos, que fatalmente os contra-revolucionários, uma vez no poder, haveriam de praticar.
Depois a implantação da monarquia, quer fosse a monarquia constitucional, tão má quase como a república, quer a outra monarquia, dava como resultado imediato o reaparecimento na cena política das velhas clientelas corruptas e gastas, a cuja acção dissolvente a própria queda da monarquia se deve.
Finalmente, para um regime novo, são precisos homens novos. Para a Monarquia Nova, começa por faltar o Rei; faltam os governantes, porque as clientelas antigas assaltariam de novo o poder, corruptas como sempre e mais ainda pelo seu exílio do poder; e faltam finalmente os próprios governados (como acima já se explicou).
Dá-se também o caso de a implantação da monarquia, qualquer que fosse, servir de estímulo ao revolucionarismo republicano, e manter portanto sempre aceso o foco de desordem. É preciso ver também que a implantação da monarquia não representaria um acto evolutivo, mas um acto revolucionário, pois quebrava a continuidade social.
O que é preciso, pois, é estabelecer uma fórmula de transição que sirva de declive natural para a monarquia futura, mas esteja em certa continuidade com o regime actual. Essa fórmula de transição, já tentada instintivamente por Sidónio Pais, é a república presidencialista, que, por ser república, não perde continuidade com o actual regime, e por restabelecer o poder pessoal começa já a introduzir um dos princípios fundamentais do regime futuro e da tradição portuguesa. A tradição não se reata: reconstrói-se.


Fernando Pessoa in Da República.

Domingo, 21 de Novembro de 2010

Por um Natal cristão

Vós sois o sal da terra

Vós, diz Cristo, senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra; e chama-lhe sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que tem ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra não se deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina, ou porque a terra não se deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma coisa e fazem outra, ou porque a terra não se deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem que fazer o que eles dizem; ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo, ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal.
Suposto pois que ou o sal não salgue ou a terra se não deixe salgar, que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga, Cristo o disse logo: Quod si sal evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras, et conculcetur ab homnibus (1). Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há-de fazer é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos. Quem se atrevera a dizer tal coisa, se o mesmo Cristo a não pronunciara? Assim como não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a cabeça que o pregador que ensina e faz o que deve, assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés o que com a palavra ou com a vida prega o contrário.


Padre António Vieira in Sermão de Santo António aos peixes.

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(1) – Mateus V, 13: «E se o sal perder a sua força, com que outra coisa se há-de salgar? Para nenhuma coisa mais fica servindo senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens».

Sábado, 20 de Novembro de 2010

A morte de José António

La muerte de José Antonio de autor desconhecido.

Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

Civilização Cristã

Nós julgamos sempre que o Cristianismo consiste em pertencer à Igreja e perfilhar certa fé. Na realidade, o cristianismo é o nosso mundo. Tudo o que pensamos é fruto da Idade Média cristã, até a nossa ciência; em resumo, tudo o que se move dentro de nossos cérebros é, necessariamente, moldado por essa época histórica que vive, ainda, em nós, pela qual estamos definitivamente impregnados e que representará sempre, no mais distante futuro, uma camada da nossa constituição psíquica, nisso se assemelhando aos vestígios que o nosso corpo traz do seu desenvolvimento filogenético. A nossa mentalidade, a nossa concepção das coisas, nasceu na Idade Média cristã, quer se queira quer não. A época das luzes nada apagou. A marca do Cristianismo encontra-se, até, presente na maneira como o homem quer racionalizar o mundo. A visão cristã do universo é, assim, um dado psicológico que escapa às explicações intelectuais.

Carl Gustav Jung in O homem à descoberta da sua alma.

O paganismo é anti-científico

A Bíblia lança em rosto aos pagãos, o facto de eles divinizarem o mundo e a natureza; de buscarem, por detrás da natureza e dos seus fenómenos, forças míticas e mágicas. Das estrelas, do fogo, da luz e do ar fazem divindades. Deixaram-se enganar. A fascinação da criação levou-os a divinizar as criaturas. Neste sentido, a Bíblia é a primeira "iluminista". De um certo modo, Ela "desencanta" o mundo; despoja-o do seu poder mágico e mítico, "desmitologiza" o mundo, desdiviniza-o.
Teremos consciência de que, sem esta desdivinização do mundo, a moderna ciência não teria sido possível? Só a fé de que o mundo foi criado, de que ele não é divino, mas sim finito e "contingente" (...), que não é necessário e podia não ter existido – só isto é que tornou possível que o mundo e tudo o que nele existe fosse estudado por si mesmo. O que encontramos são realidades finitas e criadas e não deuses ou seres divinos. Este desencantamento da natureza tem também algo penoso: detrás da árvore, ou da nascente já não se escondem ninfas nem divindades, forças míticas e mágicas, mas apenas o que Deus nelas colocou, e que a razão humana pode investigar. Por esta razão diz o livro da Sabedoria que Deus tudo criou "com medida, número e peso". Este é o fundamento de toda a investigação científica da realidade.


Christoph Schönborn in Acaso ou Vontade de Deus?

Terça-feira, 16 de Novembro de 2010

Charles Maurras – Presente!

Charles-Marie-Photius Maurras
(20 de Abril de 1868 – 16 de Novembro de 1952)

Sábado, 13 de Novembro de 2010

Uma verdade muito esquecida

...os verdadeiros amigos do povo não são revolucionários, nem inovadores, mas tradicionalistas.

São Pio X in Notre Charge Apostolique.

Um santo pouco conhecido

A Inquisição era arbitrária?

A Santa Inquisição, que a cultura pop do esquerdismo consagrou como o símbolo máximo da prepotência repressora, chamava-se "inquisição" precisamente porque inquiria, isto é, fazia perguntas e deixava o acusado responder. O termo "inquisitório" opunha-se a "acusatório". No costume processual dos séculos bárbaros, a acusação reforçada por um juramento e, se preciso, sustentada em duelo, bastava como garantia legal para enviar o réu para o outro mundo. A Inquisição proibiu o método acusatório, fazendo do direito de defesa uma conditio sine qua non para a racionalidade da prova. Muito aperfeiçoado, esse princípio acabou por ultrapassar as fronteiras do domínio jurídico estrito, impondo-se como regra básica em todas as discussões de culpa e inocência.

Olavo de Carvalho in Abolindo a Inquisição.

Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

Sábado, 6 de Novembro de 2010

São Nuno de Santa Maria

Senhor Nosso Deus, que destes ao bem-aventurado São Nuno de Santa Maria a graça de combater o bom combate e o tornastes exímio vencedor de si mesmo, concedei aos Vossos servos que, dominando como ele as seduções do mundo, com ele vivam para sempre na Pátria Celeste.
Por Cristo, Nosso Senhor.
Ámen.