Domingo, 31 de Outubro de 2010
Sábado, 30 de Outubro de 2010
Racismo
Todos os Estados, todas as Famílias, todos os Grupos ou Organismos são mais ou menos racistas, segundo a força da sua constituição, e a consciência que têm da sua missão. Isto é, defendem-se, repelindo do seu meio tudo quanto seja portador de gérmenes de decomposição ou dissolução. É a luta pela vida. É a aplicação do preceito evangélico relativo aos ramos estéreis das vides (Segundo S. João, XV, 6); é a aplicação da doutrina de S. Tomás (II da II, quest. XI, artigo 3).
... No Racismo, há dois aspectos: o aspecto negativo – repúdio da raça inimiga; e o aspecto positivo – exaltação da própria raça.
Ninguém me condenará por eu tentar impedir que a minha Pátria se dissolva, pela mestiçagem biológica ou pela invasão de não-portugueses que ocupem todas as posições chaves das actividades nacionais – nas Universidades, nos Bancos, nas Empresas, na Administração, nos Tribunais, na Indústria, nas Oficinas; e ninguém me condenará por eu proclamar a superioridade do Povo português, e não dizer amém aos que afirmam a sua inferioridade.
– Alfredo Pimenta in Contra o Comunismo (1944).
... No Racismo, há dois aspectos: o aspecto negativo – repúdio da raça inimiga; e o aspecto positivo – exaltação da própria raça.
Ninguém me condenará por eu tentar impedir que a minha Pátria se dissolva, pela mestiçagem biológica ou pela invasão de não-portugueses que ocupem todas as posições chaves das actividades nacionais – nas Universidades, nos Bancos, nas Empresas, na Administração, nos Tribunais, na Indústria, nas Oficinas; e ninguém me condenará por eu proclamar a superioridade do Povo português, e não dizer amém aos que afirmam a sua inferioridade.
– Alfredo Pimenta in Contra o Comunismo (1944).
Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010
Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010
Viriato

Deus fez a Terra. E a Terra fez a Raça,
Da Raça e mais da Terra tu vieste.
(O barro anónimo incarnou por graça
e a treva encheu-se dum clarão celeste!)
P'ra trás de ti há só a névoa baça,
há só a argila que o teu corpo veste,
parente das raízes, em quem passa
toda a rijeza duma noite agreste!
Porque és ajuda e segurança antiga,
pode bem ser que a tua voz consiga
guardar dos lobos o revolto gado...
Erguido sobre os longes pardacentos,
ó filho das levadas e dos ventos,
acode ao teu rebanho tresmalhado!
António Sardinha
Da Raça e mais da Terra tu vieste.
(O barro anónimo incarnou por graça
e a treva encheu-se dum clarão celeste!)
P'ra trás de ti há só a névoa baça,
há só a argila que o teu corpo veste,
parente das raízes, em quem passa
toda a rijeza duma noite agreste!
Porque és ajuda e segurança antiga,
pode bem ser que a tua voz consiga
guardar dos lobos o revolto gado...
Erguido sobre os longes pardacentos,
ó filho das levadas e dos ventos,
acode ao teu rebanho tresmalhado!
António Sardinha
Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
Amor cristão
O Cristianismo é uma religião de amor, mas não de um amor lamechas, ou ridiculamente hippie. O pecador arrependido é amado. O pecador que persiste no seu erro é aborrecido, mas recebe o amor de Deus, se ou quando obtém a graça do arrependimento. Pensai em Tertuliano: o que nós aprendemos no Dia do Juízo é quem, no fim, é odiado. Devemos sempre amar os nossos inimigos, mas não os inimigos de Deus.
– Michael Neumann.
– Michael Neumann.
Terça-feira, 26 de Outubro de 2010
Estranhamente
No mesmo dia em que José Pinto-Coelho dá uma entrevista a'O Diabo, a sua conta no facebook é encerrada sem qualquer justificação.
Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010
Aristocratizar é preciso!
O nosso grande problema é o da formação das elites que eduquem e dirijam a Nação. A sua fraqueza ou deficiência é a mais grave crise nacional. Só as gerações em marcha, se devidamente aproveitadas, nos fornecerão os dirigentes – governantes, técnicos, professores, sacerdotes, chefes do trabalho, operários especializados – indispensáveis à nossa completa renovação. Considero até mais urgente a constituição de vastas elites do que ensinar toda a gente a ler. É que os grandes problemas nacionais têm de ser resolvidos, não pelo povo, mas pelas elites enquadrando as massas.
– António de Oliveira Salazar in Homens e Multidões de António Ferro.
– António de Oliveira Salazar in Homens e Multidões de António Ferro.
Domingo, 24 de Outubro de 2010
Portugal Crucificado

Crucificado sobre um alto cerro,
com moiros a jogar-lhe a roupa aos dados,
eis Portugal pagando o antigo erro,
eis Portugal penando os seus pecados.
Insultam-no de baixo com aferro
esses a quem o insulto fez medrados.
Hora de expiação. Um ar de enterro
tingiu de treva os longes carregados.
E exclama Portugal: – «Senhor! Senhor!
A mim, alcaide-mor da Cristandade,
assim me abandonaste na agonia!»
António Sardinha
com moiros a jogar-lhe a roupa aos dados,
eis Portugal pagando o antigo erro,
eis Portugal penando os seus pecados.
Insultam-no de baixo com aferro
esses a quem o insulto fez medrados.
Hora de expiação. Um ar de enterro
tingiu de treva os longes carregados.
E exclama Portugal: – «Senhor! Senhor!
A mim, alcaide-mor da Cristandade,
assim me abandonaste na agonia!»
António Sardinha
Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010
Cruzado sou

Cruzado sou. Envergo uma couraça,
Jurei meus votos num missal aberto.
– eu me persigno em nome do Encoberto.
Alto, bem alto, quando a lua passa,
a lua me dirá se o avisto perto.
Eu me persigno – ou seja noite baça,
ou rompa o dia, com o sol desperto.
Meu S. Cristóvão, de menino ao ombro,
ó Portugal, – eu me comovo e assombro –
nas tuas mãos ergueste o mundo inteiro.
Entrei por ti na religião da Esperança,
Pois na alvorada que de além avança,
vem tu vestir-me o arnez de cavaleiro!
António Sardinha in Pequena Casa Lusitana.
Jurei meus votos num missal aberto.
– eu me persigno em nome do Encoberto.
Alto, bem alto, quando a lua passa,
a lua me dirá se o avisto perto.
Eu me persigno – ou seja noite baça,
ou rompa o dia, com o sol desperto.
Meu S. Cristóvão, de menino ao ombro,
ó Portugal, – eu me comovo e assombro –
nas tuas mãos ergueste o mundo inteiro.
Entrei por ti na religião da Esperança,
Pois na alvorada que de além avança,
vem tu vestir-me o arnez de cavaleiro!
António Sardinha in Pequena Casa Lusitana.
Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
Comunismo

Existe, contudo, um radicalismo social puramente judaico, e, coincidindo ele com o radicalismo social de origem europeia, é evidente que um ao outro se auxiliaram e auxiliam, se estimularam e estimulam. O radicalismo social judaico tem, porém, uma origem diferente da do radicalismo social da Europa.
O idealismo social dos judeus é, cumulativamente, uma saudade e um ódio, ou, mais propriamente, um saudosismo e uma defesa. A ânsia da pátria perdida assume necessariamente a forma da ânsia pela presumível forma original, patriarcal e simples, dessa mesma pátria; e o contraste, tanto entre a suposta liberdade dessa vida primitiva e a sujeição constante do povo judeu pelos povos cristãos, como entre o suposto judaísmo típico dessa vida e o suposto cristianismo típico da presente, faz com que, de dois modos, o idealismo judaico assuma um carácter igualitário, e esse igualitarismo um carácter místico, pois procede de um sentimento e não de uma ideia. De aí a sua intensidade íntima e o seu formidável poder emissor.
O que mais claramente prova isto é que esse igualitarismo místico se vê entre aqueles judeus que mais sofrem a opressão quotidiana, social ou política, da civilização estranha em que existem. São por isso os judeus orientais, e maximamente os judeus russos, que albergam, nutrem e espalham o igualitarismo como doutrina. Fazem-no sobretudo, como é natural, onde encontram para isso ambiente, e esse ambiente é fácil entre povos meio selvagens como o russo, ou entre as camadas meio selvagens como são, pela barbárie da semi-ignorância, os operários de todo o mundo. O comunismo de hoje – que, como ideia, só os idiotas sabem o que é – é o produto híbrido, e por isso estéril, do misticismo judaico e da estupidez europeia. Não esqueçamos: e da estupidez europeia.
– Fernando Pessoa in prefácio a Alma Errante de Eliezer Kamenezky.
O idealismo social dos judeus é, cumulativamente, uma saudade e um ódio, ou, mais propriamente, um saudosismo e uma defesa. A ânsia da pátria perdida assume necessariamente a forma da ânsia pela presumível forma original, patriarcal e simples, dessa mesma pátria; e o contraste, tanto entre a suposta liberdade dessa vida primitiva e a sujeição constante do povo judeu pelos povos cristãos, como entre o suposto judaísmo típico dessa vida e o suposto cristianismo típico da presente, faz com que, de dois modos, o idealismo judaico assuma um carácter igualitário, e esse igualitarismo um carácter místico, pois procede de um sentimento e não de uma ideia. De aí a sua intensidade íntima e o seu formidável poder emissor.
O que mais claramente prova isto é que esse igualitarismo místico se vê entre aqueles judeus que mais sofrem a opressão quotidiana, social ou política, da civilização estranha em que existem. São por isso os judeus orientais, e maximamente os judeus russos, que albergam, nutrem e espalham o igualitarismo como doutrina. Fazem-no sobretudo, como é natural, onde encontram para isso ambiente, e esse ambiente é fácil entre povos meio selvagens como o russo, ou entre as camadas meio selvagens como são, pela barbárie da semi-ignorância, os operários de todo o mundo. O comunismo de hoje – que, como ideia, só os idiotas sabem o que é – é o produto híbrido, e por isso estéril, do misticismo judaico e da estupidez europeia. Não esqueçamos: e da estupidez europeia.
– Fernando Pessoa in prefácio a Alma Errante de Eliezer Kamenezky.
Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010
Domingo, 17 de Outubro de 2010
A conhecer
Transparência na AP
Esta é uma proposta da Associação Nacional para o Software Livre (ANSOL) para apoiar a transparência na administração pública portuguesa.
Foi desenvolvido para resolver as muitas dificuldades com a pesquisa e navegação no sítio oficial Base – Contratos Públicos Online. A informação aqui presente é uma cópia da informação oficial actualizada periodicamente e disponibilizada através de um interface que facilita e incentiva a procura. De momento apenas pesquisa pelo objecto e nomes das entidades envolvidas nos Ajustes Directos lá publicados.
Esta é uma proposta da Associação Nacional para o Software Livre (ANSOL) para apoiar a transparência na administração pública portuguesa.
Foi desenvolvido para resolver as muitas dificuldades com a pesquisa e navegação no sítio oficial Base – Contratos Públicos Online. A informação aqui presente é uma cópia da informação oficial actualizada periodicamente e disponibilizada através de um interface que facilita e incentiva a procura. De momento apenas pesquisa pelo objecto e nomes das entidades envolvidas nos Ajustes Directos lá publicados.
Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010
Terça-feira, 12 de Outubro de 2010
Uma maneira de ser

Mais do que um corpo de doutrina, mais do que um breviário de constituição política, mais do que um programa, mais até do que um simples ideário monárquico, o Integralismo Lusitano é uma autêntica forma de viver e de pensar, uma norma moral, uma lição definitiva de síntese sobre o pensamento e a acção, uma alta escola de pensar contra o preconceito, o lugar-comum da época e do meio, uma clara vitória do pensamento contra a ideia-feita, do difícil contra o não pensar, contra a norma escolar e a cultura oficial ou oficializada. Sem o Integralismo não será possível compreender a história das ideias e dos factos no Portugal do nosso tempo.
– Francisco Sousa Tavares in Combate Desigual.
– Francisco Sousa Tavares in Combate Desigual.
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Tradicionalismo
Integralismo Lusitano

O Integralismo Lusitano foi sobretudo um movimento de novos e conquistou, sucessiva e progressivamente, a melhor parte da juventude das escolas. A Junta Central era constituída por um verdadeiro escol cujo prestígio moral e intelectual se radicou muito cedo. O ardor das suas convicções, o seu entusiasmo irresistível e até a sua mocidade empolgaram as novas gerações que abraçaram fervorosamente as ideias integralistas. Era nelas principalmente que se iam recrutando novos adeptos, ao mesmo tempo que se formavam vontades e inteligências, que faziam de cada novo integralista um apóstolo. Era a revista, era a conferência, era a discussão pública, era a agitação permanente, nos cafés, nas ruas e nas salas, com um desprezo total pelas grandes personalidades convencionais e vazias, pelos preconceitos, pelas autoridades policiais, pelas conveniências sociais, numa atitude irritante e escandalosa de permanente irreverência que, se afastava os timoratos e os sensíveis, também por outro lado atraía, entusiasmava, arrebatava os melhores, os mais decididos, os mais corajosos. Numa sociedade abúlica e anemiada, que vivia no terror da «formiga branca», da carbonária, das forças regulares e irregulares de que a República dispunha para a repressão e o assassínio dos seus adversários, quando se sofria, segundo o testemunho de António Sardinha, «uma hipertrofia pasmosa de medo», foi qualquer coisa de belo o aparecimento desse grupo de rapazes que tudo arrastavam no seu entusiasmo. Quem podia resistir ao verbo ardente de António Sardinha, à solidez da argumentação de Pequito Rebelo, à sua profunda originalidade e ao espírito de altura que o animava, sempre como que enlevado numa contemplação mística, à firmeza, à rectidão e ao bom senso de Hipólito Raposo, esteta da língua, modelo de coerência e de honradez política e grande talento de sistematizador e definidor da doutrina?
Confirmavam-se na acção destes rapazes – que só em conjunto se compreende, pois, com dotes diversos, admiravelmente se completavam uns aos outros – as palavras de Maurício Barrès que António Sardinha tanto gostava de citar:
«Que é o entusiasmo se o pensamento o não coordena? Que é o pensamento se o entusiasmo o não anima?»
– Leão Ramos Ascensão in O Integralismo Lusitano.
Confirmavam-se na acção destes rapazes – que só em conjunto se compreende, pois, com dotes diversos, admiravelmente se completavam uns aos outros – as palavras de Maurício Barrès que António Sardinha tanto gostava de citar:
«Que é o entusiasmo se o pensamento o não coordena? Que é o pensamento se o entusiasmo o não anima?»
– Leão Ramos Ascensão in O Integralismo Lusitano.
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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010
Sábado, 9 de Outubro de 2010
Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010
A propósito de repressão na Iª República
É alguém capaz de indicar um benefício, por leve que seja, que nos tenha advindo da proclamação da República? Não melhorámos em administração financeira, não melhorámos em administração geral, não temos mais paz, não temos sequer mais liberdade. Na monarquia era possível insultar por escrito impresso o Rei; na república não era possível, porque era perigoso, insultar até verbalmente o Sr. Afonso Costa.
– Fernando Pessoa in Da República.
– Fernando Pessoa in Da República.
Para quem ainda não conhece

Decorre até dia 15 de Outubro, no Palácio da Independência, a exposição "A Repressão da Imprensa na Primeira República". Trata-se da exibição dum conjunto de várias dezenas de quadros que evidenciam existência de um sistema repressivo regular e duradouro, mantido ao longo da primeira república. Durante esse período o regime estabeleceu formas imaginativas, directas e eficazes, de impedir o acesso do público aos textos perniciosos ou nefastos ao regime: o uso o assalto, a apreensão, a suspensão, e até a censura sem fundamento legal de jornais ou artigos foi tão frequente e continuado, que no seu conjunto constituiu um sistema repressivo sólido e consistente. A estratégia era a sustentação de um regime que não aceitava a contestação dos seus fundamentos, e uma classe política que não punha em jogo a sua permanência no poder. É esta a tese da presente exposição que assim se opõe à ciência histórica em vigor.
Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010
Terça-feira, 5 de Outubro de 2010
Domingo, 3 de Outubro de 2010
A tradição náutica europeia

Entende-se já porque eu não adiro incondicionalmente à tese do senhor Bensaúde. O Ocidente possuía uma ciência náutica remotíssima, com memória na Odyssea. A navegação aqui sobe aos fins do neolítico. É donde derivam as tradições apagadas que enchem de mistério e encanto o périplo decalcado por Rufus Festus Avienus na Ora Marítima. Claro que a estas tradições se ligaria forçosamente uma arte de navegar. Não é por literatura que Séneca afirma não ser Thule o ponto final do orbe (non erit terris ultima thule), conforme o pretendia a geografia antiga. O mar imenso, o oceano sem limites, é nos Errores de Ulisses que nos aparece pela primeira vez, se não me engano.
E tão ocidentais são as impressões contidas no Nostos, tão atlânticas elas são, que, localizando o poema de Homero no declinar resplendente de Micenas, as moradas que lá encontramos descritas não guardam em nada a sumptuosidade da casa típica dos átridas! A habitação de Ulisses é mais uma cabana nórdica, tal como no-la sugerem as sagas medievais, do que o palácio dum rei, com o requinte egeano os sabia erigir.
Foi, pois, o Levante que recebeu o influxo ocidental no conhecimento das coisas do mar. No descalabro da civilização do Cobre, quando nós mergulhamos na sombra, para só ressurgirmos depois de Roma, alguma coisa subsistiria no entanto. Em forma de conto, em forma de superstição, naturalmente. É que ao espírito empreendedor do ocidental correspondera, decerto, uma regra, como que uma direcção, tirada do convívio dos astros na dimensidão das águas. Com o adiantamento das horas da história, essa herança perdida passa para o património da astrologia. A astrologia é exercida na Idade Média, cavalheiresca e militante, por judeus e árabes, visto que a defesa do europeísmo, expressa na fé da Igreja, impunha aos cristãos o uso exclusivo da espada. Nós não ignoramos por outro lado que a chamada ciência hebraica e islamita não é mais do que uma apropriação da filosofia clássica, na sua forma racionalista, – o Helenismo.
(...)
E tanto as minhas reflexões ao trabalho do senhor Bensaúde correspondem ao aspecto definitivo do problema, que o astrolábio náutico não é mais do que a simplificação do astrolábio plano que os árabes recolheram dos Gregos e introduziram na Península. De quem o recolheriam os gregos na sua indicação originária senão das civilizações sepultas em Creta e em Micenas, da extinta talassocracia do Egeu, impulsionada cá do Ocidente, talvez da misteriosa Tharsis de mais uma passagem da Bíblia? Assim não nos espanta que a construção do primitivo astrolábio que é o plano, se estude já minuciosamente nos Libros del Saber de Astronomia de Afonso, o Sábio de Castela. Há a acrescentar, ainda em favor do meu ponto de vista, que, na necessidade de se ordenarem tábuas de declinação do sol, para o efeito do cálculo das latitudes, do nosso D. João II é que partira a ideia, encarregando ele e os seus estrólicos de resolverem a dificuldade.
– António Sardinha in Na Feira dos Mitos.
E tão ocidentais são as impressões contidas no Nostos, tão atlânticas elas são, que, localizando o poema de Homero no declinar resplendente de Micenas, as moradas que lá encontramos descritas não guardam em nada a sumptuosidade da casa típica dos átridas! A habitação de Ulisses é mais uma cabana nórdica, tal como no-la sugerem as sagas medievais, do que o palácio dum rei, com o requinte egeano os sabia erigir.
Foi, pois, o Levante que recebeu o influxo ocidental no conhecimento das coisas do mar. No descalabro da civilização do Cobre, quando nós mergulhamos na sombra, para só ressurgirmos depois de Roma, alguma coisa subsistiria no entanto. Em forma de conto, em forma de superstição, naturalmente. É que ao espírito empreendedor do ocidental correspondera, decerto, uma regra, como que uma direcção, tirada do convívio dos astros na dimensidão das águas. Com o adiantamento das horas da história, essa herança perdida passa para o património da astrologia. A astrologia é exercida na Idade Média, cavalheiresca e militante, por judeus e árabes, visto que a defesa do europeísmo, expressa na fé da Igreja, impunha aos cristãos o uso exclusivo da espada. Nós não ignoramos por outro lado que a chamada ciência hebraica e islamita não é mais do que uma apropriação da filosofia clássica, na sua forma racionalista, – o Helenismo.
(...)
E tanto as minhas reflexões ao trabalho do senhor Bensaúde correspondem ao aspecto definitivo do problema, que o astrolábio náutico não é mais do que a simplificação do astrolábio plano que os árabes recolheram dos Gregos e introduziram na Península. De quem o recolheriam os gregos na sua indicação originária senão das civilizações sepultas em Creta e em Micenas, da extinta talassocracia do Egeu, impulsionada cá do Ocidente, talvez da misteriosa Tharsis de mais uma passagem da Bíblia? Assim não nos espanta que a construção do primitivo astrolábio que é o plano, se estude já minuciosamente nos Libros del Saber de Astronomia de Afonso, o Sábio de Castela. Há a acrescentar, ainda em favor do meu ponto de vista, que, na necessidade de se ordenarem tábuas de declinação do sol, para o efeito do cálculo das latitudes, do nosso D. João II é que partira a ideia, encarregando ele e os seus estrólicos de resolverem a dificuldade.
– António Sardinha in Na Feira dos Mitos.
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Sábado, 2 de Outubro de 2010
Relativismo
Uma espécie de teósofo disse-me: "O bem e o mal, a verdade e a mentira, a loucura e a sanidade, são apenas aspectos do mesmo movimento ascendente do Universo". Já nessa época me ocorreu perguntar: "Supondo que não exista diferença entre o bem e o mal, ou entre a verdade e a mentira, qual é a diferença entre ascendente e descendente?
– Gilbert Keith Chesterton.
– Gilbert Keith Chesterton.
Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
Direito de revolta
Superior aos indivíduos duma triste hora passageira, a Pátria não é, com efeito, de modo nenhum o pretexto das nossas paixões transitórias, nem a nós nos assiste o poder de a transformarmos segundo os nossos caprichos e conforme as nossas ideologias. O estrangeiro não é, portanto, unicamente aquele que nasceu de outra comunidade com outra língua e outros costumes. É também estrangeiro o que, insurreccionando-se contra a regra que o conformou socialmente, realiza em si a tremenda palavra de Comte, ao condenar a Revolução como sendo a "rebeldia do ser contra a espécie".
Ora quando esse estrangeiro, que é bem o estrangeiro do interior, desnacionalizado por ideias cosmopolitas, maçonizado por interesses baixos de seita, se apodera do governo duma nação para lhe imprimir uma finalidade adversa aos seus sentimentos fundamentais, não haverá legitimamente, até da parte duma minoria, o direito de revolta?
– António Sardinha in A Prol do Comum.
Ora quando esse estrangeiro, que é bem o estrangeiro do interior, desnacionalizado por ideias cosmopolitas, maçonizado por interesses baixos de seita, se apodera do governo duma nação para lhe imprimir uma finalidade adversa aos seus sentimentos fundamentais, não haverá legitimamente, até da parte duma minoria, o direito de revolta?
– António Sardinha in A Prol do Comum.
O perigo ibérico
Como em toda a hora de crise nacional, o perigo ibérico está diante dos nossos olhos, indicando o futuro mais certo da Pátria, se a Pátria se não reabilitar lá fora, quanto antes, pelo regresso à Ordem e pelo respeito a si mesma. Só vivem os povos que sabem viver. E saber viver não é arrastar uma existência subalterna de país tolerado, sem mais direito a dirigir-se e a ter-se em conta de autónomo que a condescendência um tanto duvidosa dos vizinhos. É essa hoje, infelizmente, a nossa desgraçada situação. Levamos a carreira doida do abismo numa farândola de insensatos que se afundam, cantando e rindo, tal como os bailarins macabros da lenda. Ninguém se crispa num gesto que ao menos nos salve a dignidade! Tomou-nos a moleza do invertebrado. E como invertebrados sofremos sem reacção os vexames dum destino que é já de mais para a nossa honra de homens de bem, quanto mais de cidadãos livres duma terra livre! Não temos ainda para cá das fronteiras o inimigo tradicional. E se ele vier, não será a sua aspiração de séculos que o há-de erguer em som de guerra contra nós. Justiça ao cavalheirismo de Castela, nós é que a chamaremos às armas, – hão-de ser os nossos desvarios que, esgotando-lhe a paciência, acabarão por lhe escancarar as portas da casa. A solução intervencionista é lógica, é natural, como as coisas que o são, quando um importuno nos incomoda e nos coloca em risco de quebra o nosso próprio sossego, a nossa própria disciplina. Quem perdeu o jeito de ser prudente e não faz mais nada senão desgovernar-se, abre-se-lhe uma falência ou instaura-se-lhe uma curadoria. Não é outro, meus Senhores, o nosso tristíssimo caso!
– António Sardinha in A Questão Ibérica.
– António Sardinha in A Questão Ibérica.
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