Sábado, 31 de Julho de 2010

Da falácia do género

Homem e Mulher nunca podem ser inimigos, porque são complementares. Portanto, é completamente descabida a noção de guerra entre sexos, análoga à luta de classes, tal como foi anunciada pelo comunista Friedrich Engels.

***
Outras leituras sobre a ideologia do género aqui e aqui.

Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

O materialismo prático de alguns católicos

Um Oriental não pode admitir uma organização social que não repouse em princípios tradicionais; para um muçulmano, por exemplo, a legislação inteira não é senão uma dependência da religião. Em tempos, também assim foi no Ocidente: basta lembrarmo-nos do que foi a Cristandade na Idade Média; mas, hoje, as relações estão invertidas. Com efeito, vemos agora a religião como um simples facto social; em vez da ordem social inteira ser associada à religião, esta, contrariamente, quando ainda consentimos dar-lhe um lugar, não é mais vista senão como um qualquer dos elementos que constituem a ordem social; e quantos católicos aceitam esta forma de ver sem a menor dificuldade!
Praticamente, crentes e não crentes comportam-se quase da mesma maneira; para muitos católicos, a afirmação do sobrenatural não tem senão um valor teórico, e ficariam embaraçados se tivessem que constatar um facto miraculoso. É o que podemos chamar de um materialismo prático, um materialismo de facto; não é este mais perigoso do que o materialismo admitido, precisamente porque aqueles que por ele são atingidos não têm sequer consciência?
Seria contudo bem fácil demonstrar que a religião e a ciência não podem entrar realmente em conflito, pela simples razão de que elas não pertencem ao mesmo domínio. Como não ver o perigo que há em parecer procurar, para a doutrina que diz respeito às verdades imutáveis e eternas, um ponto de apoio no que há de mais variante e incerto?
E que pensar de certos teólogos cristãos que estão afectados do espírito "cientista" ao ponto de se crerem obrigados a ter em conta, em maior ou menor medida, os resultados da exegese moderna e da "crítica dos textos", quando seria fácil, na condição de ter uma base doutrinal um pouco segura, fazer aparecer a sua inanidade? Como não nos apercebermos que a pretensa "ciência das religiões", tal qual ela é ensinada nos meios universitários, jamais foi na realidade outra coisa do que uma máquina de guerra dirigida contra a religião, ou de forma mais geral, contra tudo o que ainda possa subsistir do espírito tradicional, que querem naturalmente destruir aqueles que dirigem o mundo moderno num sentido que só pode terminar numa catástrofe?


René Guénon.

Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Não argumento

Dizer que a pena de morte está errada porque vivemos no século XXI ou que a apologética de São Tomás de Aquino deve ser repudiada porque foi escrita no século XIII, tem tanta lógica e é tão verdadeiro como afirmar que os teoremas de Pitágoras e Arquimedes são falsos por serem muito antigos.
No fundo, o argumento de Orlando Braga contra a pena de morte é um não argumento ou pseudo-argumento. Na sua justificação não há uma procura de verdade, mas apenas uma procura do que é moderno e conveniente ao espírito "humanista". Como relativista que é, nega toda a concepção de absoluto e utiliza a escala temporal como critério de avaliação. Para ele, a moral é uma coisa que evolui conforme o tempo, e por conseguinte, pode ser moldada de acordo com o próprio ego.
Contudo, e para sua infelicidade, as coisas não funcionam assim. As ideias, princípios e proposições, ou são verdadeiros ou são falsos, independentemente do tempo em que vivemos. E a verdade, para o ser de facto, não pode evoluir, progredir ou transformar-se. A verdade, tal como a mentira, permanece imutável ao longo das gerações e apesar das condições do meio.
Dessa forma, não é o tempo, a moda ou o pretenso anacronismo que nos deve interessar como critério de avaliação. O que nos deve realmente interessar é o valor da pena de morte em si, ou seja, se esta é ou não uma forma válida e legítima de fazer justiça. Ao que se responde sim, porque quem poupa os lobos, mata as ovelhas.

***
Apesar de já ter referido anteriormente, volto a insistir:

Catecismo Romano
"Outra espécie de morte lícita é a que compete às autoridades. Foi-lhes dado o poder de condenar à morte, pelo que punem os criminosos e defendem os inocentes, de acordo com a sentença legalmente lavrada. Quando exercem seu cargo com espírito de justiça, não se tornam culpados de homicídio; pelo contrário, são fiéis executores da lei divina, que proíbe matar." VI. 5º Mandamento §§ 2-8

Catecismo Maior de São Pio X
"É lícito tirar a vida do próximo: durante o combate em guerra justa; quando se executa por ordem da autoridade suprema a condenação à morte em castigo de algum crime; e finalmente quando se trata de necessária e legítima defesa da vida, no momento de uma injusta agressão." nº 413

Novo Catecismo da Igreja Católica
"O ensino tradicional da Igreja não exclui, depois de comprovadas cabalmente a identidade e a responsabilidade do culpado, o recurso à pena de morte, se essa for a única via praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto." (2267)

Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Finalmente

Orlando Braga deixa a hipocrisia de lado e assume o seu ódio visceral à Santa Madre Igreja, Esposa de Cristo: Qualquer ideologia que defenda a pena-de-morte tem que ser combatida. Se a Igreja católica o faz, terá que ser combatida e erradicada.
Pois que mais ninguém se deixe enganar, a partir de agora já todos sabemos bem com o que contar.

Estamos sempre a aprender

Segundo Orlando Braga, na Idade Média não existiam prisões nem dinheiro para as construir. Daí São Tomás de Aquino defender a pena de morte. Ou seja, para o Santo a aplicação da pena máxima não se tratava de uma questão de justiça, mas sim de logística.
Obviamente, isto é tudo uma grande aldrabice destinada a enganar os mais distraídos. Quem estiver interessado em conhecer os verdadeiros argumentos de São Tomás é favor ler a Suma Teológica (excertos aqui e aqui).

A pena de morte é anti-cristã?

Não. E a prova disso pode ser encontrada tanto no Catecismo da Igreja Católica como em diversos textos apologéticos, entre os quais eu destaco São Tomás de Aquino (aqui e aqui) ou o falecido professor Orlando Fedeli (aqui, aqui e aqui).
os postais de Teresa Moreno contra a pena de morte não são mais do que uma mera interpretação pessoal, moderna e materialista, que não corresponde de maneira nenhuma à tradição e doutrina da Igreja.

***
A conhecer: Pena de Morte Já.

Defesa económica, defesa moral, defesa política

Terça-feira, 27 de Julho de 2010

Os inimigos de Deus são meus inimigos

Ó Deus! tu matarás decerto o ímpio: apartai-vos, portanto, de mim, homens de sangue. Pois falam malvadamente contra ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão.
Não aborreço eu, ó Senhor, aqueles que te aborrecem, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti? Aborreço-os com ódio completo: tenho-os por inimigos.
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.


Salmo 139: 19-24

Salazar – Presente!

Domingo, 25 de Julho de 2010

São Tiago Maior

São Tiago Maior, apóstolo, mártir, protector dos peregrinos e patrono da reconquista, rogai por nós!

Sábado, 24 de Julho de 2010

Ainda sobre a humanidade

A primeira verdade da sociologia – ciência, aliás, conjectural e imperfeita – É que a humanidade não existe. Existe, sim, a espécie humana, mas num sentido somente zoológico: há a espécie humana como há a espécie canina. Fora disso a expressão humanidade pode ter somente um sentido religioso – o de sermos todos irmãos em Deus, ou em Cristo. Entre o sentido zoológico, que está aquém, e o religioso, que está além, da sociologia, não cabe sentido nenhum. Sociologicamente, não há humanidade, isto é, a humanidade não é um ente real.
Na realidade social há só dois entes reais – o indivíduo, por que é deveras vivo, e a nação, porque é a única maneira como esses entes vivos, chamados indivíduos, se podem, agrupar socialmente de um modo estável e fecundo. A base mental do indivíduo, por isso mesmo que é indivíduo, é o egoísmo, e os indivíduos podem agrupar-se só em virtude de um egoísmo superior, ao mesmo tempo próprio e social. Esse egoísmo é o da pátria, em que nos reintegramos em nós através dos outros, fortes do que não somos.


Fernando Pessoa in Sobre Portugal: Introdução ao Problema Nacional.

O problema português

A desorientação em que temos vivido, a decadência em que temos vegetado, deriva da acumulação de três factores, que em três épocas diferentes intervieram na vida nacional e cuja influência infeliz permaneceu.
O primeiro factor – a decadência propriamente dita – data da jornada de Alcácer Quibir, prolonga-se pelo domínio dos Filipes, e até hoje ainda não passou. Lampejos transitórios – a Restauração, o Marquês de Pombal, o Presidente Sidónio Pais – são apenas (salvo o último caso, de cujas consequências não podemos falar ainda) remissões da nossa doença colectiva.
O segundo factor – a desnacionalização – entrou com a vinda do sistema monárquico estrangeiro que, implantado primeiro em 1820, se arrastou, através de uma guerra civil constante, latente ou patente, até à sua fixação em 1851, e a corrupção definitiva dos nossos costumes políticos e administrativos, o abandono total do governo à portuguesa.
O terceiro factor, prolongamento desse segundo, surgiu plenamente em 1910, com a implantação da República. A desnacionalização tornou-se, nessa altura, degenerescência. Nem a degenerescência se limitava aos partidos que a República trouxe (não há estado social mórbido que seja pertença exclusiva de um partido), mas abrangeu também os velhos partidos monárquicos cuja obra a República, anarquizando mais, apenas continuou.
O problema português consiste na destruição da tripla camada de negativismo que assim cobre a Pátria.


Fernando Pessoa in Sobre Portugal: Introdução ao Problema Nacional.

Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

Só existem nações, não existe humanidade

A humanidade não existe sociologicamente, não existe perante a civilização. Considerar a humanidade como um todo é, virtualmente, considerá-la como nação; mas uma nação que deixe de ser nação passa a ser absolutamente o seu próprio meio. Ora um corpo que passa a ser absolutamente do meio onde vive é um corpo morto. A morte é isso – a absoluta entrega de si próprio ao exterior, a absoluta absorção no que cerca. Por isso o humanitarismo e o internacionalismo são conceitos de morte, só cérebros saudosos do inorgânico o podem agradavelmente conceber. Todo o internacionalista devia ser fuzilado para que obtenha o que quer, a integração verdadeira no meio a que tende a pertencer. Só existem nações, não existe humanidade.

Fernando Pessoa in À Procura da Verdade Oculta: Textos Filosóficos e Esotéricos.

Pela Língua

A Língua como agente de coesão nacional

Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: – todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; – e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa, vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna, com as suas influências afectivas, que o envolvem, o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do Verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo do carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo.

Eça de Queirós in A Correspondência de Fradique Mendes.

Terça-feira, 20 de Julho de 2010

Regressão

A civilização moderna aparece na história como uma verdadeira anomalia: de todas as que conhecemos, ela é a única que se desenvolveu num sentido puramente material, a única também que não se apoia em nenhum princípio de ordem superior. Este desenvolvimento material que se desenrola há vários séculos, e que se acelera cada vez mais, foi acompanhado de uma regressão intelectual que ele é incapaz de compensar. Trata-se, bem entendido, da verdadeira e pura intelectualidade, que também poderíamos chamar de espiritualidade, sendo que nos recusamos a dar este nome àquilo que os modernos se têm sobretudo aplicado: a cultura das ciências experimentais, com vista a aplicações práticas às quais elas são susceptíveis de dar lugar. Um só exemplo poderia permitir medir a extensão desta regressão: a Summa Theologica de S. Tomás de Aquino era, no seu tempo, um manual para o uso de estudantes; onde estão hoje os estudantes que seriam capazes de a aprofundar e de a assimilar?

René Guénon.

Sábado, 17 de Julho de 2010

Da evolução dos costumes

A cidade hoje já não é o que foi no meu tempo, o que é natural. Mas o pior é que mudou com tal ímpeto que tudo o que era pitoresco vai de gangão desatinado para o esquecimento com passagem pelo camartelo demolidor, e assim já de todo acabaram os carvoeiros onde se bebia o melhor vinho, por tigelas brancas vidradas, e havia quase sempre, para fazer boca, pastéis de bacalhau e uma velha a assar castanhas. Acabaram os carvoeiros substituídos por estabelecimentos de venda de carvão a retalho, revestidos de azulejo e tão penteadinhos que até a gente tem vergonha de lá entrar. Esta gente moderna, com suas higienes e posturices, substituíram as iscas e o pastel de bacalhau por bolos de arroz e brioches e o vinho por leite, não se tendo convencido nunca de que não há raça forte com semelhante alimento e a resultante foi a substituição das touradas pelo futebol e dos homens pelos maricas.

Albino Forjaz de Sampaio in Volúpia: A Nona Arte: A Gastronomia.

O que é a Nação?

A Nação é para nós, sobretudo uma entidade moral, que se formou através de séculos pelo trabalho e solidariedade de sucessivas gerações, ligadas por afinidades de sangue e de espírito, e a que nada repugna crer, esteja atribuída no plano providencial, uma missão específica no conjunto humano.

António de Oliveira Salazar.

Arraial de porrada, por Portugal e mais nada!



Bem sei que o vídeo não é o mais apropriado, mas a música é sem dúvida excelente.

O perfil de um herói

Quarta-feira, 14 de Julho de 2010

Feito heróico de Duarte de Almeida, o Decepado

Feito heróico de Duarte de Almeida, o Decepado de autor desconhecido.

A morte de Gonçalo Mendes da Maya, o Lidador

A morte de Gonçalo Mendes da Maya, o Lidador de Manuel de Macedo.

Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Democracia e Aristocracia

Não é por acaso que a "democracia" se opõe à "aristocracia" e que este último termo designa, precisamente, pelo menos em sentido etimológico, o poder da elite. Esta, por definição, não pode ser senão uma minoria e o seu poder, ou melhor, a sua autoridade, que deriva de uma superioridade intelectual e espiritual, não tem nada em comum com a força numérica sobre a qual se fundamenta a "democracia", nem com as forças irracionais do colectivismo, tendências cujo carácter essencial é o sacrifício da minoria à maioria, e também o da qualidade à quantidade, e da elite à massa.

René Guénon.

Portugal não pode morrer

Eu acredito fervorosamente nos destinos da nossa Raça. Um País que – mais do que fronteiras de montanhas ou rios – criou uma História, uma Língua, uma Arte independente, não pode morrer. Pode ainda a nacionalidade ter um período de obscurantismo abismador... Façam-lhe ainda pior do que lhe têm feito; a Raça não sucumbirá – e a Nação há-de ressurgir do próprio sangue, das próprias lágrimas do seu calvário.

António Correia de Oliveira.

Domingo, 11 de Julho de 2010

Quinta-feira, 8 de Julho de 2010

Sir Galahad

Sir Galahad de Herbert Schmalz

Quarta-feira, 7 de Julho de 2010

Da higiene inquisitorial

Portugal jamais se defendera de misturas alogénicas – senão nos guardassem as medidas purgatórias do Santo Ofício, a gente de cor, as etnias bastardas, entrariam na nossa composição em dosagem preponderante. Mesmo assim nos subterrâneos do nosso atavismo, recalcados pela repulsa sábia da higiene inquisitorial, dormitavam as influências desagregantes da mestiçagem nigerista, que a aventura ultramarina nos custara, mais a porca infecção hebraica, de que não escapámos incólumes. Os ensinamentos da antropo-sociologia ajudam-nos a interpretar as falhas e os colapsos da Raça através de semelhante critério. E no convite encegueirado aos elementos hostis da coesão autóctone em que a república se afadiga para correr ao assalto da nossa unidade moral e afectiva, rotos os bridões seculares, postos num frangalho os rijos feixes inibitivos, a labe maldita aflorou da semi-sonolência que a neutralizava.
(...) D. João III, ao instalar a cúria inquisional, incarna uma necessidade. (...) Com as luzes da antropologia-sociologia contento-me em asseverar que o injuriado monarca se mostrou conforme ao sentir unânime – como rei o reflectiu e exprimiu, praticando um incalculável serviço à unidade moral da Pátria, à boa higiene da alma colectiva num país em que os escravos excediam infinitivamente os indígenas e, porta aberta às perniciosas influências do morbo judengo e da corrosão huguenote, se achava exposto a resvalar com rapidez para a última das desagregações, atacado na rijeza estrutural por categorias étnicas e psíquicas tão adversas. A salubridade da nação, restrita ainda ao unitarismo confessional, impunha-lhe o procedimento que teve como chefe e como pai.


António Sardinha in Durante a Fogueira.

Outros motivos para a decadência de Portugal

Discorrendo da Questão Ibérica, já eu escrevia, vai para três anos, que, enquanto em Espanha existem várias nacionalidades latentes, comprimidas pela supremacia unitarista de Castela, em Portugal existia apenas na nação portuguesa, "A não ser agora a conquista do estrangeiro do interior, revivescência étnica dos pretos e dos judeus de que o Santo Ofício nos livrou inteiramente". Por estranha e paradoxal que pareça a minha afirmação, é bom recordar primeiro que, no seu livro Les Selections Sociales, Vacher de Lapouge atribui o verdadeiro motivo da decadência de Portugal à inquinação do nosso sangue pela vinda ao reino de massas e massas de escravos negros. Não irei tão longe, e duma maneira absoluta.
Mas num país como o nosso, tão escassamente povoado, o êxodo incessante das Conquistas e das descobertas abriu na metrópole, com gravidade extrema, a crise do trabalho e da produção. Sucedeu-nos o que sucede a todas as nações atiradas para a voragem do imperialismo colonial, desde que uma resistência específica da raça as não defenda de misturas ignóbeis, como sucede com a Inglaterra: – A introdução dos elementos indígenas imediata dos elementos indígenas com as importações de raça inferior. O caso em Portugal assumiu tamanho desenvolvimento que já ao princípio de Quinhentos, nas saborosas redondilhas da sua Miscellanea, o gordo Garcia de Resende não reprimia uma exclamação de justificado alarme:

Vemos no reyno metter
tantos cativos crescer
e irem-se os naturaes
que, se assim for serão mais
eles que nós, a meu ver.


António Sardinha in Durante a Fogueira.

Segunda-feira, 5 de Julho de 2010

Os cavaleiros cristãos

Quando estão prestes a entrar em guerra, fortificam-se por dentro com a fé e por fora com as armas de aço não douradas, para, assim armados sem ornamentos preciosos, infundir terror aos inimigos, em vez de excitar sua avareza. Cuidam muito de ter bons cavalos, fortes e ligeiros, e não reparam que sejam de pelagem bonita ou estejam ricamente ajaezados. Pensam mais em combater do que em apresentar-se com fausto e pompa.

Aspirando à vitória e não à vanglória, procuram fazer-se mais respeitar do que admirar por seus inimigos. Jamais marcham em confusão e com impetuosidade, nem se precipitam às pressas nos perigos, pelo contrário estão sempre em seus postos com uma precaução e prudência inimagináveis. Entram em batalha na mais bela ordem, segundo o que está escrito do povo de Deus: "Os verdadeiros israelitas marcham para a batalha com o espírito pacífico. Mas chegados ao embate, põem de lado a mansidão costumeira, como se dissessem: 'Não é certo que eu aborreço a todos que vos aborrecem, Senhor, e que me consumo de cólera contra vossos inimigos?'" Lançam-se como leões sobre seus adversários, olhando as tropas inimigas como rebanhos de ovelhas.


São Bernardo de Claraval in Elogio aos Templários.

Obra de caridade

Os inimigos declarados de Deus e da Igreja devem ser difamados tanto quanto se possa, desde que não se falte à verdade, sendo obra de caridade gritar: 'Eis o lobo!', quando está entre o rebanho ou em qualquer lugar onde seja encontrado.

São Francisco de Sales in Introdução à Vida Devota.

Domingo, 4 de Julho de 2010

É preciso afirmar

Uma nação só existe quando há Tradição, quando há História. A negação sistemática em que vimos vivendo destrói a Tradição, destrói a História: logo, destrói a Nação. Os povos vivem do Passado. Negar o Passado é um suicídio. Este povo, o povo português, não se levanta pelo cepticismo negativista. Só será possível erguê-lo, injectando-lhe princípios orgânicos, alterando-lhe por completo a orientação em que vai, despertando-lhe intensivamente os seus elementos tradicionais, aquilo que ele tem, como todos os povos, de fundamental, de básico, de estrutural. O primeiro efeito do negativismo sistemático é a ruína do princípio da Autoridade. O primeiro do sistemático construtivismo, é o engrandecimento, o prestígio deste princípio. O nosso mal fundamental é, como já disse, a Anarquia. Ela filia-se no negativismo que tem sido o único sistema da nossa existência.
É preciso afirmar. Evidentemente que não me refiro à casta dominante, incapaz, por deficiência própria, de outra coisa, que não seja demolir. Dirijo-me aos que por uma má compreensão dos factos e das situações se têm deixado levar na corrente, pedindo-lhes que fixem aquele preconceito que Augusto Comte arvorou em lei: on ne détruit que ce qu'on remplace. Edifiquemos, primeiro, o que há-de substituir o defeituoso e depois destruamos então o que é mau. Há cinquenta anos que temos andado na fúria do bota abaixo. E que erguemos nós? Que edificámos nós? Mentiras, mentiras e só mentiras. A vida política, a vida social, a vida económica, a vida financeira, a vida mental deste pobre país, é um conjunto de mentiras e mistificações.
É mentira a democracia, a liberdade, a fraternidade; é mentira o parlamentarismo, a independência dos poderes, a soberania nacional; é mentira a família pervertida pelo divórcio; é mentira a propriedade, assaltada por atributos arbitrários; é mentira a educação, inspirada nas campanhas nefastas de uma imprensa medíocre; é mentira a nossa riqueza, estagnada ou rotineira; é mentira a nossa ilustração feita de farrapos dessas doutrinas, ministrada por professores quase sempre – burocratas sem paixão pelo seu mister, inutilizando, assim, os esforços sadios de uma minoria por demais conhecida – a nossa ilustração que, em vez de técnica, é livresca, em vez de criar utilidades sociais, cria bacharéis decorativos.
Não me perguntem se ainda vamos a tempo de vencer a onda que se desencadeou. Não curo disso. Tratemos de, com tempo ou sem tempo, fazer frente à tempestade. Eu não sou obrigado a triunfar das minhas afirmações: mas sou obrigado a formulá-las, para que outros oiçam. Falo para os que estão comigo e para os que estão do outro lado – para que todos iniciem a acção construtiva, orgânica, positiva, absolutamente indispensável para o levantamento da Nação. Pode ser que, por tardia, ela nada consiga já. Mas temos a certeza de que continuando na orientação dominante – espera-nos a morte.


Alfredo Pimenta in Novos Estudos Filosóficos e Críticos.

A minha extrema-direita

Fui sempre anti-liberalista e anti-democrata.
Não sou monárquico constitucional, antes me sinto cada vez mais reaccionário. Sou monárquico maximalista. Estou na extrema-direita da extrema-direita: à minha direita não fica ninguém.


Alfredo Pimenta in A Questão Monárquica.

A extrema-direita que convém à esquerda

Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

Isto não é genocídio?

Na Europa, em 15 anos morreram 28 milhões de crianças vítimas de aborto; na China, a média ronda os 13 milhões por ano; e na Rússia, o número de abortos aproxima-se do número de nascimentos.
Ora, perante isto, creio que é perfeitamente legítimo perguntar se não estamos perante o maior genocídio em toda a História da Humanidade?! E a resposta está no silêncio das autoridades mundiais, sejam políticas, económicas ou religiosas.
Infelizmente, para elas o termo "genocídio" e "holocausto" só se aplica quando dá jeito e apenas quando é dirigido ao povo eleito. O resto? O resto chama-se progresso e modernidade.

Na Coreia do Norte

Quinta-feira, 1 de Julho de 2010

Este anúncio é racista?



Segundo o dogmatismo progressista e politicamente correcto, é. Afinal, hoje em dia vivemos num mundo moderno, aberto e tolerante, onde cada um faz o que quer e lhe apetece, mesmo que isso vá contra a própria natureza. E quem não pensar assim, é porque é um retrógrado preconceituoso que não consegue compreender a evolução dos tempos.