Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

A necessidade de responsabilizar os políticos pelos estragos que causam com as suas acções

Qualquer automobilista é responsabilizado pelas suas acções no trânsito.
Um restaurante é responsabilizado pelo que serve à mesa.
Um médico é responsabilizado pela sua conduta profissional.
Então, por que razão, nenhum político é responsabilizado pelos seus actos?
Instalou-se mundialmente um sistema de intocabilidade religiosa em dois meios fortemente interligados, que são o financeiro e o político.
O pior que pode acontecer a um financeiro ou a um político é não ser reeleito para o seu cargo. As desgraças que as suas actuações causam a tanta gente são consideradas irrelevantes.
Isto está profundamente errado!
Procurar vestígios de corrupção, para ver se algum banqueiro ou governante acumulou fortunas pessoais de forma ilegal, é apenas um levantar de uma cortina de fumo, para não mostrar a verdadeira gravidade da situação.
Os seus comportamentos devem ser vistos, individualmente, como as origens das feridas, que as suas acções causaram, com efeitos nefastos, ao povo e à pátria, que supostamente deviam defender.
Proponho que pessoas qualificadas "avaliem a performance" (permito-me, neste caso específico, a usar a terminologia dos próprios), de todos os políticos, que ocuparam cargos no pós-25 de Abril de 1974.
Apoderaram-se de uma nação, que existia em harmonia desde a Ilha do Corvo até Macau.
O que fizeram dela?
Deve-se calcular, em números, os prejuízos, que suas actuações causaram, não apenas à metrópole, mas também aos povos ultramarinos.
Deve-se criar um escalão onde se atribua as percentagens de peso das decisões, que correspondam a cada lugar governamental e por dia de ocupação.
De seguida, deve-se procurar saber quais foram as pessoas que ocuparam estes lugares e qual o montante de estragos por elas causados.
Logicamente, devem ser responsabilizados pessoalmente; a igualdade de direitos e deveres com todas as outras profissões a isto obriga.
Não existe fundamento lógico que justifique que os governantes não possam ser chamados à responsabilidade. Qualquer taxista, talhante, dentista ou educador é responsabilizado pelos seus actos.
Um julgamento público, devidamente transmitido pelos média, é suficiente para acabar com o assassinato da identidade nacional e conseguir o restabelecimento imediato da soberania!
Qualquer um dos políticos responsabilizados devem ter direito de defesa e explicação do porquê das suas acções.
A justiça e a ordem pública têm de prevalecer!
Se as suas acções forem consideradas justificáveis perante o povo e a pátria, será absolvido.
Se as suas acções forem causadoras de endividamento da nação, do empobrecimento (espiritual ou monetário) do povo, terá que tentar indemnizar a nação e o povo. Caso não tenha bens suficientes para fazer face ao peso dos danos, terão que responder todas as pessoas, firmas (incluindo os seus accionistas), ou instituições, que lucraram com as suas decisões e responder dentro dos montantes por eles indevidamente recebidos, para que se reponha o estado da Nação ao nível da data da sua tomada de posse.
Este julgamento terá, como consequência imediata, a dissuasão do aparecimento de novos caçadores de fortunas fáceis na governação.
Isto, por sua vez, será a vassourada de limpeza ética que uma profissão (que devia ser merecedora de respeito) necessita urgentemente.
Quando o Dr. António de Oliveira Salazar assumiu a sua longa caminhada para tirar a pátria do endividamento estrangeiro e a criação de uma das mais fortes e respeitadas moedas então existentes, totalmente coberta por reserva de ouro, apenas pediu que lhe fosse pago o mesmo ordenado, que recebia, enquanto era professor da Universidade. Nunca aceitou mais um tostão. Nunca possuiu um grão de areia que fosse numa conta off-shore, nem desviou fortunas para familiares seus.
Um verdadeiro GOVERNANTE tem de ser RESPONSÁVEL pelas suas acções, como qualquer cidadão comum.
Já assim era no tempo de Viriato e no futuro terá de o ser de novo!


Rainer Daehnhardt in revista Finis Mundi, Nº 1, Inverno 2010-2011.

6 comentários:

NC disse...

O problema é que em democracia o povo é quem mais ordena e através do sufrágio universal os políticos encontram legitimidade para as suas acções, assim, só há uma entidade responsável quando as coisas correm mal, a responsabilidade é inteiramente do povo. Claro que há aqui uma falácia, mas é a lógica do sistema político vigente.

Cumprimentos,

O Reaccionário disse...

Sem dúvida! Daí a importância de mudar o Sistema, onde o Poder não seja emanado do Sufrágio, mas sim de Deus (todo o Poder vem de Deus). Portanto, só uma Monarquia aristocrática e corporativa pode solucionar efectivamente o problema político.

Cumprimentos.

Carlos Portugal disse...

Completamente de acordo, Caro Reaccionário!

Aliás, a falácia do sufrágio é que este nem sequer se limita a ser um jogo viciado: os resultados há muito que pouco ou nada têm a ver com os papeluchos colocados nas urnas (outra simbologia de morte e não de vida). São uma fraude completa.

Creio bem que está na Hora! Que Deus nos ajude.

Cumprimentos.

Skedsen disse...

Era bom era. Era bom que portugal voltasse a uma monarquia aristocrática, mas haveria aristocracia disposta a desfazer este pântano em que estamos metidos?

Falangista Campense disse...

Uma monarquia aristocrática? um regresso á exploração da classe trabalhadora pelos grandes latifundiários? Caro reaccionário, apesar de ser um católico convicto, nisso jamais poderei concordar consigo, a monarquia é uma instituição morta, uma instituição é em a chefia do estado é hereditária, e não é alcançada pelos méritos de cada um. Por estes e muitos outros motivos é que eu sou republicano, e quer goste quer não, no 5 de Outubro de 1910, se tivesse lá estado, não hesitaria em lutar ao lado dos republicanos, e no 30 de Janeiro lá estarei no Cemitério do Prado do Repouso no Porto a prestar a justa homenagem aos vencidos de 1891.

Cumprimentos

Falangista Campense

O Reaccionário disse...

Falangista Campense,

Diz-se católico convicto. Pode um católico convicto escolher o seu próprio Deus? Não! Para um católico convicto Deus não se discute. Aceita-se, respeita-se, obedece-se...
Da mesma forma, o Rei como chefe natural da Nação não se discute. Aceita-se, respeita-se, obedece-se... Como diria António Sardinha: Ninguém escolhe o Rei, como ninguém escolhe o próprio Pai para lhe obedecer.

Quem acha que o Rei é discutível, com a maior das facilidades também acha que a Pátria é discutível. Por isso quem discute o Rei não respeita a Ordem, é um revolucionário apátrida e subversivo, que nem sequer devia ser considerado português. Que fique bem claro, para mim não existem monárquicos e republicanos. Para mim existem portugueses e republicanos.

A Monarquia não morre. Enquanto a Nação existir, a Monarquia também viverá. O Rei é a Nação viva. Por isso é que os bastardos republicanos mataram o Rei. Sem a morte do Rei não seria possível a implantação da República.

Méritos de cada um? Segundo Aristóteles, a Aristocracia é definida como o governo dos melhores. Como tal, a Monarquia aristocrática é aquela em que o Rei é assistido pelos melhores na administração da Nação.

Exploração da classe trabalhadora pelos grandes latifundiários? Isso é pura demagogia marxista. Os maiores exploradores do "povo" são aqueles que os mais dizem defender, isto é, os socialistas e comunistas. Conhece a experiência da Reforma Agrária em Portugal durante o PREC? Pois é, foi a ruína total. Descobriu-se que afinal os latifundiários "exploradores" eram o garante da "classe trabalhadora". Quando se abole a propriedade privada destrói-se todo o aparelho produtivo. E quando se abole a classe patronal deixa de haver quem dirija e oriente o trabalho. Ao contrário do que diz a falácia marxista, os homens não são todos iguais. Sem patrões não há empregados e consequentemente não há trabalho.

Quem diz «democracia» diz «individualismo». Quem diz «individualismo» diz por sua vez «burguesia» e «capitalismo». Na pavorosa confusão mental de que a Europa é vítima há mais de um século, acredita-se ainda que a Revolução Francesa, porque proclamou os Imortais Princípios, abriu às classes pobres uma era nova de emancipação e prosperidade. Se a superstição liberalista não falasse tanto à sentimentalidade das massas, com certeza que não se teria ido tão longe num ludíbrio que encobre a maior das falsidades. Se hoje existe, e em grau tão agudo, uma questão irredutível entre o rico e o pobre, entre o que produz e o que consome, a culpa é precisamente da metafísica mentirosa da Revolução. A Revolução só deu acesso a arrivistas cobiçosos de oiro e de domínio, a quem faltava a preparação moral da antiga sociedade. (António Sardinha in Durante a Fogueira)