Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Não argumento

Dizer que a pena de morte está errada porque vivemos no século XXI ou que a apologética de São Tomás de Aquino deve ser repudiada porque foi escrita no século XIII, tem tanta lógica e é tão verdadeiro como afirmar que os teoremas de Pitágoras e Arquimedes são falsos por serem muito antigos.
No fundo, o argumento de Orlando Braga contra a pena de morte é um não argumento ou pseudo-argumento. Na sua justificação não há uma procura de verdade, mas apenas uma procura do que é moderno e conveniente ao espírito "humanista". Como relativista que é, nega toda a concepção de absoluto e utiliza a escala temporal como critério de avaliação. Para ele, a moral é uma coisa que evolui conforme o tempo, e por conseguinte, pode ser moldada de acordo com o próprio ego.
Contudo, e para sua infelicidade, as coisas não funcionam assim. As ideias, princípios e proposições, ou são verdadeiros ou são falsos, independentemente do tempo em que vivemos. E a verdade, para o ser de facto, não pode evoluir, progredir ou transformar-se. A verdade, tal como a mentira, permanece imutável ao longo das gerações e apesar das condições do meio.
Dessa forma, não é o tempo, a moda ou o pretenso anacronismo que nos deve interessar como critério de avaliação. O que nos deve realmente interessar é o valor da pena de morte em si, ou seja, se esta é ou não uma forma válida e legítima de fazer justiça. Ao que se responde sim, porque quem poupa os lobos, mata as ovelhas.

***
Apesar de já ter referido anteriormente, volto a insistir:

Catecismo Romano
"Outra espécie de morte lícita é a que compete às autoridades. Foi-lhes dado o poder de condenar à morte, pelo que punem os criminosos e defendem os inocentes, de acordo com a sentença legalmente lavrada. Quando exercem seu cargo com espírito de justiça, não se tornam culpados de homicídio; pelo contrário, são fiéis executores da lei divina, que proíbe matar." VI. 5º Mandamento §§ 2-8

Catecismo Maior de São Pio X
"É lícito tirar a vida do próximo: durante o combate em guerra justa; quando se executa por ordem da autoridade suprema a condenação à morte em castigo de algum crime; e finalmente quando se trata de necessária e legítima defesa da vida, no momento de uma injusta agressão." nº 413

Novo Catecismo da Igreja Católica
"O ensino tradicional da Igreja não exclui, depois de comprovadas cabalmente a identidade e a responsabilidade do culpado, o recurso à pena de morte, se essa for a única via praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto." (2267)

10 comentários:

NC disse...

O liberalismo impôs-se ao mundo através da força das armas e não através do poder da argumentação. Não há argumentação possível contra a Verdade. Para derrotar a iniquidade será necessário mais do que palavras. De qualquer forma o Reaccionário está a progredir no combate que é possível, parabéns pelo bom argumento.

Cumprimentos,

O Reaccionário disse...

Obrigado, caro NC. Faço o possível.

Cumprimentos.

Leandro disse...

Há dois dias enviei esse trecho do catecismo para um Católico que não aceitava a pena de morte por acreditar que a Igreja é contra. Usei uma argumentação muito semelhante a sua.

Ele, mesmo não tendo muito conhecimento a respeito, agradeceu o texto e se mostrou bastante receptivo. Estou enviando o link para seu texto que vem bem a calhar.

Pax et bonum

Skedsen disse...

O não argumento também é uma arma de arremesso, assim como o saõ o politicamente correcto, a xenotreta, o racismo e outras coisas mais. É a ausência de pensamento ao serviço daqueles que fazem da arte do não pensamento e do não argumento uma forma de se superiorizarem aos outros. Infelizmente, no mundo globalizado em que vivemos, essa visão e essa ausência de argumento e pensamento fazem parte da dita ditadura do pensamento único e do pronto a pensar, e aqui chegados, é muito difícil vislumbrar a realidade das coisas. Cumprimentos.

O Insuspeito disse...

Conheço bem a Doutrina de Igreja relativamente à pena de morte. Aceito-a e considero legítimo o recurso à pena capital, porque me submeto à autoridade de Roma.

Admito, no entanto, que não é fácil de conceber, numa primeira abordagem, que este recurso possa ser legítimo... Na verdade, durante muito tempo me pareceu uma loucura a legitimidade da pena de morte.

Semper Fidelis!

Grande Abraço!

harms disse...

Se alguém diz que a apologética de S.Tomás deve ser rejeitada por ser do século XIII mostra logo, à partida, o imbecil que é. Por essa ordem de ideias, tudo o que for escrito, dito, até ao momento presente deve ser repudiado. Mas, no fundo, o espírito dos nossos dias é mesmo esse: viver num eterno presente, seja lá isso o que for.

harms disse...

Se alguém diz que a apologética de S.Tomás deve ser rejeitada por ser do século XIII mostra logo, à partida, o imbecil que é. Por essa ordem de ideias, tudo o que for escrito, dito, até ao momento presente deve ser repudiado. Mas, no fundo, o espírito dos nossos dias é mesmo esse: viver num eterno presente, seja lá isso o que for.

Ana Maria Nunes disse...

Hahaha e eu que já fui chamada de tudo quanto foi nome pq defendo a pena de morte!

N tem nada ver por questão familiar n, é pq sou a favor mesmo, ainda que a Igreja fosse contra eu seria a favor.

Ana Maria Nunes disse...

Roubei o link e postei no Sucessão:
http://sucessaoaapostolica.blogspot.com/2010/07/pena-de-morte.html


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BANDIDO BOM, É BANDIDO MORTO!!!

João Carlos disse...

"Estamos no século XXI" esta madlita frase justifica tudo para os demoliberais. Eu concordo com o Reaccionário, a pena de morte é justa.