Terça-feira, 27 de Abril de 2010

O reino imundo da quantidade

Mas as angústias mais características do nosso tempo e da nossa civilização são as espirituais, que nascem da tensão entre o homem e a sociedade de massa que o sufoca e aniquila em tudo aquilo que tem de supramaterial. Pese às ideologias libertadoras e às antropologias teológicas, foi ainda impossível levar o homem a habitar a sua dimensão. Tanto a Este como a Oeste o que domina é o reino imundo da quantidade, das ideias reflexas, do homem vegetativo. A afectividade empobreceu-se e reduziram-se as relações entre os homens, quer em quantidade, quer em qualidade – a Biologia a cobrar a conta na sociedade de massas. A natureza humana, di-lo Lorenz, está mais pobre e isto é um indicador concreto dos efeitos do Sistema sobre o espírito humano.

António Marques Bessa in Ensaio sobre o fim da nossa Idade.

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