Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Dia de São Miguel Arcanjo

São Miguel Arcanjo,
protegei-nos no combate,
defendei-nos com o vosso escudo
contra as armadilhas
e ciladas do Demónio.
Deus o submeta,
instantemente o pedimos;
e vós, Príncipe da Milícia Celeste,
pelo divino poder,
precipitai no inferno a Satanás
e aos outros espíritos malignos
que andam pelo mundo
procurando perder as almas.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ámen.


Nota: Esta oração foi composta pelo Papa Leão XIII após uma visão segundo a qual o Demónio iria submeter a Igreja a um período de provações. Assim, como forma de exorcizar o Demónio, o Papa ordenou que esta oração fosse rezada de joelhos no fim de cada Santa Missa. Hoje, a visão de Leão XIII está esquecida e a oração foi abandonada. Terá já terminado o período de provações? Enfim, rezemos...
Curiosidade:
O primeiro cavaleiro: São Miguel Arcanjo. A cavalaria é a sucessora terrestre da milícia angélica.

Sábado, 26 de Setembro de 2009

Declaração de voto


Nota: Uma vez mais entrego o meu voto ao Partido Nacional Renovador. E não o faço por qualquer comprometimento que tenha para com este partido, mas antes por ter um compromisso para com determinados valores que não abdico de defender e que só encontro representados no PNR. Valores como a Pátria, a Identidade, a Família, a Vida, a Segurança e a Justiça, são pilares fundamentais para quem ambiciona à Salvação Nacional. Da Pátria como expoente político; da Identidade como unidade pátria; da Família pela defesa da natalidade e pela rejeição do homossexualismo; da Vida pela rejeição do aborto e da eutanásia; da Segurança pela inviolabilidade da pessoa; e da Justiça pela sua desburocratização e eficácia, contra a corrupção.
Cruzar os braços e não votar no PNR ou votar noutro qualquer (o que vai dar ao mesmo) seria compactuar com a destruição de Portugal. Porque a diferença entre votar no PNR e não votar, é a diferença entre a salvaguarda de alguns elementos essenciais à Restauração Nacional e a sua perda total. Elementos esses, que uma vez perdidos, torna a Reconquista, senão impossível, praticamente impossível. E nada mais havendo para salvaguardar, todo o esforço posterior torna-se inútil. É então nosso dever suster o progresso da situação, donde o partido é a base de sustentação, para depois a inverte-la no bom sentido.
Daí, creio que é fundamental agirmos de forma inteligente, uma vez que também não estamos em posição de fazer grandes exigências, por estarmos em território hostil. É o PNR o meu partido de eleição? Não. Mas também a democracia não é o meu ideal político. Apesar disso, quer se goste ou não, a democracia existe. Não vale a pena meter a cabeça na areia e fingir que ela não existe, porque existe. E existindo é importante saber usar os mecanismos disponíveis para fazer passar a Mensagem. Mensagem que não é meramente política, mas que está para além da política. E por isso, é também muito importante estarmos cientes que o trabalho não se fica pela vitória política. A batalha trava-se sobretudo no domínio espiritual e cultural. O partido político é apenas o princípio e não o fim. Como tal, não vale a pena lastimarmo-nos com a esterilidade dos portugueses se também não fazemos nada para que as coisas mudem.
Quanto aos católicos nacionalistas, meus irmãos de Fé e Raça, que têm algum receio de votar no PNR por este não ser um partido confessional, eu relembro que o saudoso Arcebispo Marcel Lefebvre aconselhava o voto na Front National por esta defender um conjunto de valores comuns ao Catolicismo tradicional (ou verdadeiro Catolicismo). Seria a FN um partido confessional? Não. Mas também mais nenhum partido o era, e muito menos o regime republicano/democrático, que é laico.
Já no nosso caso, existe melhor partido do que o PNR? Não. Então é nosso dever não contribuir para um reforço dos "piores", ao mesmo tempo que persistimos no Bom Combate.

Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Para além do Integralismo

O Integralismo só pode viver com a condição de se ultrapassar. O nacionalismo, só por si, é uma ideia morta. Todo o nosso esforço, limitado à proclamação do interesse nacional e, partindo desta premissa, desenvolvido na dedução de todo um lógico sistema, brilhará com a luz da verdade, mas essa luz não será calor nem vida.
O nacionalismo acaba na nação? Nesse caso, morre. E como pode acabar e morrer o Integralismo, se este nome etimologicamente significa uma tendência para o que é completo e perfeito, uma aspiração universal, uma vontade intransigente de grandeza e duração?
Não basta dizer: Tudo o que é nacional é nosso.
É preciso acrescentar: Tudo o que é humano é nosso.
Impõe-se finalmente concluir: É nosso tudo o que é divino.
Já Valois trouxera inesperadamente para a sua economia a sentença bíblica: Procura primeiro o reino dos Céus e a sua justiça e tudo o mais te será dado por acréscimo. Numa dedução de altíssima filosofia, num raciocínio ascensional em que palpita a intuição do génio, este mestre demonstra que não se vence sem um método, que o método de nada serve sem uma doutrina, que esta doutrina precisa de ser de ordem geral e não de qualquer ordem geral, mas daquela ordem mais geral e primária, que se liga ao conceito universal de Deus.
Viver, por este princípio, identifica-se com crer e crer é, essencialmente, a adesão da personalidade ao Deus verdadeiro.
A falta de vida religiosa tira às ideias o seu prestígio, embota a razão, arruína a ordem, gera a guerra de todos contra todos e asfixia a família e a oficina, porque tira ao homem a única razão de trabalhar e o seu sentido espiritualista ao preceito: Crescei e multiplicai-vos.
Para viver é preciso ter uma religião, ao menos uma religião falsa. As religiões falsas, que provam a verdadeira, são formas de vida, enérgica, ampla, embora falsa. O bolchevismo só vive e tem os seus triunfos, porque é, não uma revolta de estômagos, mas uma religião satânica nas consciências.
Para que o integralismo triunfe é preciso que ele seja em certa maneira um movimento religioso, uma cruzada, não só nacional, mas humana, não só humana, mas religiosa. Na política portuguesa fizemos a inovação de um método de combate (a audácia, o espírito de sacrifício, o espírito de organização), mas o método, embora novo, não nos bastava, nem valia em si próprio, mas sim como inspirado por uma doutrina (a soberania do Interesse Nacional, a apologia da Monarquia, a condenação da Democracia).
Como não somos nós, mas a nação, o verdadeiro agente do movimento integralista, deve concluir-se que o ideal puramente nacionalista do integralismo peca por falta de universalidade. E assim devemos procurar uma doutrina que exceda e ao mesmo tempo realize o integralismo, porque só essa doutrina pode dar-nos vida, vitória e salvação. Esta doutrina é a dá Cruzada.
Demos à nossa campanha um escopo mais alto do que o de pôr em ordem a pequena casa lusitana para nela vivermos com honra e proveito; consideremo-nos antes os soldados de uma guerra mais vasta em que defendemos a própria humanidade contra a barbárie democrática e o próprio Deus contra o orgulho satânico da Revolução.
Acreditemos numa vocação apostólica de Portugal. As qualidades e a unidade da raça, a homogeneidade do território, a nossa condição de nação pequena, o ruralismo fundamental, sem grandes massas proletárias e portanto sem outro bolchevismo além do que os políticos fomentam, o que não exclui riqueza porque a temos nas colónias, o próprio martírio colectivo que vamos sofrendo em reparação de culpas antigas, o valiosíssimo património intelectual que representa a doutrina nacionalista, finalmente a lembrança sempre viva das glórias da nossa História – são causas múltiplas de acreditar que Portugal, uma vez reorganizado nas suas instituições, daria à Europa um modelo vivo da nova ordem, que à Europa seria a solução dos seus sangrentos problemas.
Pela Espanha e nos vastos horizontes que uma política peninsular nos proporcionaria, o contágio deste exemplo certamente se estenderia muito ao largo pelo mundo latino e teríamos um maximalismo reaccionário ocidental, que será puramente essa restauração da cristandade cuja esperança Valois me dizia ter, falando em nome da alma comum que de Roma ambos tínhamos recebido, ele o mestre, o genial renovador da Economia, eu o humilde soldado, unidos, porém, na mesma aspiração, não já da glória de Portugal ou da França, mas sim da ressurreição do homem em Cristo, das nações livres e irmãs na cristandade.


– José Pequito Rebelo, in jornal a Monarquia, 7 de Janeiro de 1922.

Da conversão da Rússia

Para desgosto de alguns pagãos, a Ortodoxia renasce na Rússia.

Domingo, 6 de Setembro de 2009

A igualdade dos Homens

Que todos os homens são iguais é uma proposição à qual, em tempos normais, nenhum ser humano sensato deu, alguma vez, o seu assentimento. Um homem que tem de se submeter a uma operação perigosa não age sob a presunção de que tão bom é um médico como outro qualquer. Os editores não imprimem todas as obras que lhes chegam às mãos. E quando são precisos funcionários públicos, até os governos mais democráticos fazem uma selecção cuidadosa entre os seus súbditos teoricamente iguais.
Em tempos normais, portanto, estamos perfeitamente certos de que os Homens não são iguais. Mas quando, num país democrático, pensamos ou agimos politicamente, não estamos menos certos de que os Homens são iguais. Ou, pelo menos – o que na prática vem ser a mesma coisa – procedemos como se estivéssemos certos da igualdade dos Homens.


Aldous Huxley in Sobre a Democracia e Outros Estudos.