O que nos mata, principalmente, é, com a falta duma ideia directriz, a falta dum grupo ou classe social em que se apoie qualquer tentativa séria de «reaportuguesar Portugal» – na definição já agora memorável do poeta Afonso Lopes Vieira. E afinal, porquê? Porque não existe em Portugal um mínimo de cultura colectiva, que permita compreender a uma minoria resoluta e capaz que não há restauração nacionalista possível sem a prévia instauração dum princípio salvador. Vive-se assim na mais apagada e mortífera negação do que sejam as virtudes construtoras do Espírito e manda a verdade que se diga que, ao lado do semi-analfabetismo dos partidários do regime instalado no Terreiro do Paço, são réus confessos no mesmo crime ignóbil os que, ao mero funcionamento da máquina eleitoral, confiam automaticamente a salvação do país pelo regresso puro e simples das clientelas caídas em 1910.
– António Sardinha in Nação Portuguesa, Julho de 1922.
– António Sardinha in Nação Portuguesa, Julho de 1922.
2 comentários:
Esta sentença de António Sardinha continua actual.
Reaccionário, descobri o seu blogue recentemente e folgo em saber que os ideias que proclama estão vivos no ciberespaço, e no coração dos verdadeiros patriotas obviamente.
Adicionei o endereço de O Reaccionário à lista dos sites recomendados do Mos Maiorum.
http://mos-maiorum.blogspot.com/
Muito obrigado pela parte que me toca, caro Auctoritas.
Também o Mos Maiorum faz parte da minha lista de recomendações.
Cumprimentos.
Enviar um comentário