Sexta-feira, 20 de Março de 2009

A Lenda de el-rei D. Sebastião

Depois de Alcácer Quibir
El Rei D. Sebastião
Perdeu-se num labirinto
Com seu cavalo real

As bruxas e adivinhos
Nas altas serras beirãs
Juravam que nas manhãs
De cerrado de Nevoeiro
Vinha D. Sebastião

Pastoras e trovadores
Das regiões litorais
Afirmaram terem visto
Perdido entre os pinhais
El Rei D. Sebastião

Ciganos vindos de longe
Falcatos desconhecidos
Tentando iludir o Povo
Afirmaram serem eles
El Rei D. Sebastião
E que voltava de novo

Todos foram desmentidos
Condenados às gales
Pois nas praias dos Algarves
Trazidos pelas marés
Encontraram o cavalo
Farrapos do seu gibão
Pedaços de nevoeiro
A espada e o coração
De El Rei D. Sebastião

Depois de Alcácer Quibir
Virá D. Sebastião
E uma lenda nasceu
Entre a bruma do passado
Chamam-lhe o desejado
Pois que nunca mais voltou
El Rei D. Sebastião
El Rei D. Sebastião


"A Lenda de el-rei D. Sebastião", Quarteto 1111.

Para ver e ouvir, aqui e aqui.

----------------------
* Imagem, daqui.

2 comentários:

Escarapão disse...

O triste é que vivemos um Alcácer Quibir diário. Precisamos cada vez mais de um neo-sebastianismo, mesmo sem D. Sebastião.

O Reaccionário disse...

A beleza do sebastianismo reside precisamente na personificação de Portugal em D. Sebastião. Daí que quando se alude ao regresso do Desejado, está-se a referir na verdade ao retorno de Portugal que se encontra perdido no nevoeiro, entre guerras e gente estranha.